quinta-feira, 22 de junho de 2017

As condutas e incertezas no câncer de reto

No Brasil são diagnosticados cerca de 15 000 novos casos por ano de câncer do reto. Esse tumor deve ser suspeitado e investigado quando a pessoa apresenta sangue e/ou muco nas fezes e também quando tem a sensação de evacuação incompleta.

O diagnóstico pode ser feito através de um simples toque retal ou por meio de exame endoscópico. Quando tratado de forma apropriada, em especial nas fases mais iniciais, apresenta bons índices de cura. O tratamento desse tumor depende das suas características e, em geral, é realizado por uma associação de métodos terapêuticos: radioterapia, quimioterapia e cirurgia.

A decisão do que fazer passa pelo que se chama de estadiamento da doença e do tumor. Vamos focar neste artigo os casos onde a doença está localizada no reto, isto é, sem metástases à distância.

Opções de tratamento

O tratamento clássico é a cirurgia de ressecção do reto. Assim, lesões localizadas até cerca de um a dois centímetros acima do ânus são tratadas com a retirada de segmento do intestino grosso que inclui o reto e seus linfonodos de drenagem. O trânsito intestinal é restabelecido por meio de uma anastomose (sutura) do cólon com o coto retal.

Por outro lado, se o tumor estiver invadindo os esfíncteres ou muito próximo a eles, em especial em idosos, com o mecanismo esfincteriano menos competente, a conduta é a amputação de reto com colostomia definitiva.

Cerca de 85 a 90% dos tumores de reto são diagnosticados em fase mais avançada, ou seja, envolvendo toda a parede do reto e, às vezes, invadindo órgãos e estruturas vizinhas ao reto. Eventualmente, linfonodos de drenagem que estão ao redor do reto podem estar comprometidos. Nesses casos, o tratamento começa com um esquema de radioterapia associada à quimioterapia, que é denominado de neoadjuvante, e que tem como objetivos reduzir o tamanho do tumor e permitir uma cirurgia mais radical, diminuir o risco de recidiva local do tumor e, em algumas situações, favorecer uma cirurgia onde se possa preservar os esfíncteres anais.

Somente depois de 8 a 12 semanas após o término da neoadjuvância é que se realiza a cirurgia, para que seu efeito possa obter os melhores resultados e para que os tecidos normais possam se recuperar. Esse é o padrão ouro atualmente praticado.

Contudo, na tentativa de se evitar uma grande cirurgia, que é o tratamento clássico, tem-se buscado alternativas onde o reto é preservado, parcial ou totalmente. Uma das técnicas em avaliação é a da ressecção local do tumor, ou seja, ressecando-se apenas a região onde o tumor está localizado.

Essa técnica, como tratamento exclusivo, é aceitável apenas para tumores em fases bem iniciais e com características anatomopatológicas que denotam baixa agressividade. Em lesões que praticamente sumiram com a neoadjuvância, esta pode ser uma alternativa, dependendo de vários fatores específicos.

Outra alternativa para preservação do reto é quando a neaodjuvância leva a uma regressão total do tumor, podendo-se nestes casos apenas acompanhar o paciente e operá-lo ao menor sinal de recidiva. O problema desta conduta é definir o que é regressão total (resposta completa à neaodjuvância) e o risco do tumor se reapresentar de forma agressiva, perdendo-se a oportunidade de cura.

Equipe multidisciplinar é essencial

Os conceitos evolventes no tratamento do câncer do reto fazem com que os processos decisórios sobre o que fazer dependam, mais do que nunca, de uma equipe multidisciplinar, que congrega endoscopista, especialista em imagens, cirurgião, radioterapeuta e oncologista clínico, os quais devem atuar de forma integrada, em centros de referência.

Aliás, a experiência mundial mostra que os melhores resultados de sobrevida são obtidos nestes centros, que reúnem expertise e volume de casos.

Fonte: Veja
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/as-condutas-e-incertezas-no-cancer-de-reto/10868/7/ acesso em 22/06/17 às 13:29hs

Segurança no uso de medicamentos é tema do webinar Proqualis

No dia 27 de junho, às 14h, o Proqualis realizará o webinar “Medicação sem danos: Terceiro Desafio Global de Segurança do Paciente da Organização Mundial de Saúde”, com a presença do Farmacêutico Mario Borges Rosa. Mario é presidente do Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP-Brasil) e Farmacêutico da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais - Fhemig. É Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Representante do Brasil na International Medication Safety Network.
O desafio global tem a finalidade de reduzir em 50% os danos graves evitáveis associados a medicamentos em todos os países no prazo de cinco anos. Segundo dados da OMS, erros de medicação causam pelo menos uma morte todos os dias e provocam danos a saúde em aproximadamente 1,3 milhões de pessoas anualmente apenas nos Estados Unidos. Mundialmente, o custo associado aos erros de medicação foi estimado em US$ 42 bilhões por ano ou quase 1% do total das despesas de saúde globais.
Mario Borges irá apresentar os objetivos específicos para que as instituições de saúde alcancem a meta. Importante ressaltar que em sua apresentação, serão abordadas as fragilidades nos sistemas de saúde que levam a erros de medicação e os graves danos que isso pode causar. Além disso, serão mostradas e discutidas as principais medidas para prevenir os erros de medicação.
Para ter acesso ao webinar, acesse o Portal Proqualis (proqualis.net), onde será disponibilizado o link para participação, na data e horário do evento, ou assista pela transmissão ao vivo do no Facebook . Participe!
 Fonte: Assessoria Proqualis
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/cursos-e-eventos/52694-seguranca-no-uso-de-medicamentos-e-tema-do-webinar-proqualis acesso em 22/06/17 às 13:22hs

Tire suas dúvidas sobre a Doação de Sangue

A doação de sangue ainda é um assunto que gera dúvidas. Muitas pessoas até questionam a segurança do processo. Bons exemplos envolvendo esse gesto de amor ao próximo podem ajudar a incentivar o ato e esclarecer dúvidas frequentes.  É o caso da Isabel Benkler. A organizadora de casamentos, hoje com 45 anos, começou a doar sangue cedo, logo quando completou a maioridade, e não parou mais. Hoje, ela já soma 75 doações. Para se ter uma ideia da quantidade de pessoas ajudadas pela Isabel, saiba que em uma única doação de sangue é possível ajudar até 04 pessoas.
A espera da Isabel aconteceu porque entre 16 e 18 anos incompletos, a doação só poderá ser realizada mediante consentimento dos pais ou responsáveis legais. É possível ainda que o Hemocentro solicite a presença dos pais para a doação de sangue feita por um menor.
Para a organizadora de casamentos, a doação de sangue é uma ação tão simples e fácil de executar que todo mundo deveria praticar o ato também, independente de alguém da família
precisar ou não. “Doar sangue, pra mim, é vida!  É uma maneira da gente  salvar a vida através da própria vida.  Eu sempre tive isso dentro de mim como algo muito importante”, afirma Isabel.
Incentivar e explicar, desde muito cedo para as crianças, sobre a doação de sangue, pode contribuir para a conscientização da importância do ato e quem sabe, para que no futuro, aumente ainda mais o número de doadores e pessoas salvas no país pelo gesto. Isabel relembra que também teve inspiração muito cedo para começar a ajudar outras pessoas com a doação de sangue. “Sou filha de doadores e quando completei 18 anos, a primeira coisa que eu fiz foi pegar um ônibus e ir sozinha doar sangue. Desde então nunca parei”, conta.
  • Doar sangue é seguro?
Doar sangue não oferece riscos ao doador porque nenhum material usado na coleta do sangue é reutilizado, eliminando assim qualquer possibilidade de contaminação de forma que a segurança na coleta de sangue é absoluta.
Quanto tempo demora para doar sangue ?
O ato de doar sangue leva em torno de dez minutos e acontece após consulta prévia com profissional de saúde que vai dizer se você está apto ou não a doar. No Hemocentro de Brasília, por exemplo,  todo o processo dura em média 75 minutos.
Quem doa sangue uma vez é obrigado a doar sempre?
Não, doar sangue não cria dependência no organismo da pessoa. É um ato voluntário e que só depende da pessoa voltar ao Hemocentro, dentro do prazo mínimo de espera previsto, para fazer isso mais uma doação.
Doar sangue engrossa ou afina o sangue ?
Ao doar, o seu sangue não sofre qualquer alteração.
Que quantidade de sangue é doado?
Uma pessoa adulta tem em média 5 litros de sangue. Em cada doação o máximo de sangue retirado é de 450 ml.
Quantas vezes por ano uma pessoa pode doar sangue?
O homem pode doar de 2 em 2 meses, no máximo 4 vezes ao ano. Já a mulher somente de 3 em 3 meses, com no máximo 3 doações anuais. 
Qual é o tipo de sangue mais importante ?
Todos. Não há tipo de sangue mais importante do que outros. Todos são importantes para salvar vidas.
O que é um doador voluntário?
É aquele que doa espontânea, altruísta e voluntariamente. A doação do voluntário é anônima, não vinculada a quem virá a precisar receber sangue por qualquer razão.
Orientações para doadores de sangue  
O doador deve...
•    Levar o documento oficial de identidade com foto (identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista, carteira do conselho profissional ou carteira nacional de habilitação);
•    estar bem de saúde;
•    ter entre 16 (dos 16 até 18 anos incompletos, apenas com consentimento formal dos responsáveis) e 69 anos, 11 meses e 29 dias;
•    pesar mais de 50 Kg;
•    não estar em jejum; evitar apenas alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação.
Impedimentos temporários
•    Febre
•    Gripe ou resfriado
•    Gravidez
•    Pós-parto: parto normal, 90 dias; cesariana, 180 dias
•    Uso de alguns medicamentos
•    Pessoas que adotaram comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis
Cirurgias e prazos de impedimentos  
•    Extração dentária: 72 horas
•    Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: três meses
•    Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem seqüelas graves, tireoidectomia, colectomia: 6 meses
•    Ingestão de bebida alcoólica nas últimas 12 horas
•    Transfusão de sangue: 1 ano
•    Tatuagem: 1 ano
•    Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina
Impedimentos definitivos
•    Hepatite após os 11 anos de idade
•    Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: hepatites B e C, Aids (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas
•    Uso de drogas ilícitas injetáveis
•    Malária

Intervalos para doação
•    Homens: 60 dias (até 4 doações por ano)
•    Mulheres: 90 dias (até 3 doações por ano)
Cuidados pós-doação
•    Evitar esforços físicos exagerados por pelo menos 12 horas
•    Aumentar a ingestão de líquidos
•    Não fumar por cerca de 2 horas
•    Evitar bebidas alcóolicas por 12 horas
•    Manter o curativo no local da punção por pelo menos quatro horas
•    Não dirigir veículos de grande porte, trabalhar em andaimes, praticar paraquedismo ou mergulho
•    Faça um pequeno lanche e hidrate-se. É importante que  o doador continue se sentindo bem durante o dia em que efetuou a doação.
Doe sangue com responsabilidade
Você sabe o que é janela imunológica?
Janela imunológica é o intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus da aids e a produção de anticorpos anti-HIV no sangue. Esses anticorpos são produzidos pelo sistema de defesa do organismo em resposta ao HIV e os exames irão detectar a presença dos anticorpos, o que confirmará a infecção, caso ela tenha ocorrido.
Se um teste de HIV é feito durante o período da janela imunológica, há a possibilidade de apresentar um falso resultado negativo. Portanto, é recomendado esperar mais 30 dias e fazer o teste novamente. Entenda:A sinceridade ao responder as perguntas do questionário que antecede a doação é importante para evitar a transmissão de doenças aos pacientes que receberão o sangue doado.
Nunca doe sangue se você quiser apenas fazer um exame para HIV/Aids. Nesse caso, procure um Centro de Testagem Anônima e gratuita. 
  • Informe-se pela Ouvidoria do SUS: 136 ou nos Centros de Testagem Anônima.
Gabi Kopko, com informações do Hemocentro Brasília e INCA, para o Blog da Saúde.
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/entenda-o-sus/52695-tire-suas-duvidas-sobre-a-doacao-de-sangue acesso em 22/06/17 às 13:18hs

Saiba como funciona a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para HIV

Já imaginou tomar um comprimido por dia e diminuir de maneira significativa as chances de contrair o HIV em caso de uma exposição? É basicamente assim que funciona o novo método de prevenção ao HIV oferecido pelo Ministério da Saúde. A Profilaxia Pré-Exposição, ou PrEP, como é mais conhecida,  é um dos componentes  da abordagem adotada pelo Ministério para combater o HIV, chamada de prevenção combinada, onde a pessoa tem a opção de usar um método de prevenção ou combinar vários que se ajustem às suas necessidades, características individuais ou momentos de vida.

É dentro desse contexto que o SUS passa a oferecer a pílula que combina o medicamento tenofovir e o entricitabina. Um único medicamento por dia é tomado regularmente, mesmo que não haja suspeita de exposição, pois o objetivo é que ela funcione como uma barreira para o HIV antes da pessoa ter contato com o vírus. Diferente da, Profilaxia Pós-exposição (PeP), um outro método de prevenção que é utilizado no pós exposição ao vírus. A PEP deve ser iniciada até 72 horas após a relação sexual sem camisinha ou acidente com algum objeto perfuro-cortante onde possa ter havido contato com o vírus. O tratamento é feito com três medicamentos e dura 28 dias. A PEP também está disponível no SUS.  
Após o início do uso da PrEP o efeito protetivo só começa após o sétimo dia de uso diário do medicamento para as relações envolvendo sexo anal. Já para as relações envolvendo sexo vaginal, a proteção só começa após 20 dias de uso diário. É preciso frisar que o remédio, evidentemente, só tem esse efeito protetivo para quem não tem o vírus. Quem já tem o vírus, não deve tomar a PrEP, porque o esquema para tratar é diferente do esquema para a profilaxia.
A coordenadora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, explica que o medicamento funciona como uma forma de bloqueio para que o HIV não infecte o organismo. “Ao tomar o comprimido diariamente, a medicação pode impedir que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo. Ela de fato coloca o Brasil alinhado com o que há de mais avançado em termos de prevenção”.  
Mas não são todas as pessoas que podem fazer o uso do medicamento na rede pública no Brasil. Por enquanto a PrEP só será ofertada para as pessoas mais vulneráveis ao risco de infecção pelo HIV que são os homens que fazem sexo com homens (HSH), gays, população trans, trabalhadores e trabalhadoras do sexo e casais sorodiferentes (quando um já tem o vírus e o outro não). Além disso, este não é o único critério que será utilizado pelo Ministério da Saúde: os profissionais de saúde vão prescrever a PrEP para pessoas que tenham uma maior chance de entrar em contato com o HIV, principalmente por não usarem preservativos nas relações sexuais.
Para Evaldo Amorim, do Grupo Elos LGBT DF e integrante do Fórum ONG Aids DF e Centro oeste, a implementação da PrEP, mesmo que apenas para grupos prioritários, é muito bem-vinda. “Eu particularmente acho que vai ajudar por que são grupos que em algum momento possuem mais dificuldade, e estão de certa maneira mais vulneráveis ao contágio”. Adele Benzaken, ainda reforça que mesmo as pessoas que fazem parte deste grupo, mas que têm uma prática sexual segura, não se expõem ao risco de infecção e realizam seus testes e exames com regularidade, não têm necessidade de tomar a PrEP. Para essas pessoas, em caso de uma eventual exposição há a possibilidade de fazer o uso da PeP.
Quer saber mais sobre a PeP? Clique aqui!
Mas mesmo com outros métodos de prevenção surgindo no SUS, e com a oferta da PrEP, há um reforço necessário a ser feito: utilizar o preservativo nas relações sexuais,  e como um dos métodos a serem utilizados. “Só a camisinha  previne das outras infecções sexualmente transmissíveis – como a sífilis, gonorreia, clamídia etc. além de evitar a gravidez. Por essa razão é importante o uso da camisinha”, defende Adele Benzaken, diretora do Departamento de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Ela também destaca que fazer testes para o HIV também é uma forma importante a proteção contra o vírus. Eles são ofertados gratuitamente no SUS.
Você pode conseguir camisinhas – tanto masculinas quanto femininas -  em qualquer posto de saúde gratuitamente, já a PrEP ainda não está sendo ofertada, mas a previsão é que ocorra ainda este ano para aqueles grupos definidos, já que o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da PrEP foi publicado no final de maio, e a incorporação deve ser feita dentro do prazo de 180 dias. 
 
Aline Czezacki, para o Blog da Saúde in http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/52697-saiba-o-que-e-como-funciona-e-pra-quem-e-indicada-a-profilaxia-pre-exposicao-prep-para-hiv
acesso em 22/06/17 às 13:14hs

quarta-feira, 21 de junho de 2017

HOMENAGEM A CARLOS ALBERTO LIMA

Amigo querido, obrigada por tudo que você fez pelo Grupo Se Toque.
Obrigada por seu carinho, por seus gestos, por sua presença em nossas vidas!
Seu sorriso muitas vezes nos consolou...
Apaixonado por celebrações nunca permitiu que um aniversário não fosse comemorado.
Sempre presenteou a cada um de nós, sempre encontrou motivos para nos alegrar...

Meu irmão querido, sei que agora seu trabalho voluntário é no céu mas, de lá continuará a nos ajudar...
Você marcou as nossas vidas ...

Sueli

terça-feira, 20 de junho de 2017

Sites reduzem estresse em pacientes com câncer e controlam sintomas

No maior congresso científico de câncer do mundo, que reúne quase 40 mil pessoas no mês de junho em Chicago, faz pelo menos cinco anos que a palavra de ordem é imunoterapia.

Não é para menos: o tratamento, que utiliza o próprio sistema imunológico para combater o tumor, conseguiu resultados até então inéditos com menos efeitos colaterais do que as tradicionais quimioterapia e radioterapia.

Neste ano, porém, quem recebeu destaque na reunião da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica, na sigla em inglês) foram os próprios pacientes.

Estudos apresentados mostraram uma preocupação em melhorar a qualidade de vida de pessoas com câncer, com diferentes estratégias.

Em um deles, os pesquisadores se concentraram na angústia experimentada por pacientes que haviam recebido o diagnóstico de câncer havia cerca de três meses. Dos 129 participantes, 75% tinha elevado nível de estresse -em sua forma crônica, ele pode até afetar a própria tolerância ao tratamento.

"A maioria dos pacientes com câncer não tem apoio psicológico", afirma Viviane Hess, médica do Hospital Universitário de Basel, na Suíça, responsável pelo estudo.

No programa desenvolvido por ela, chamado de Stream, os pacientes aprendiam sobre estresse, métodos de relaxamento, planejamento de atividades e técnicas de meditação mindfulness em oito módulos na internet. Ao final do estudo, os pesquisadores viram uma significativa melhoria na qualidade de vida.

"Eu oriento os pacientes a tentar administrar o estresse, mesmo que zerá-lo seja impossível", afirma Antônio Carlos Buzaid, chefe do centro de oncologia Antonio Ermírio de Moraes.

O modelo on-line é benéfico porque, além de prático, pode ajudar a transpor a barreira do preconceito que muitos ainda têm contra a terapia.

"O aplicativo é uma opção menos estigmatizante e menos assustadora para pessoas que nunca procurariam um profissional de saúde mental", disse à Folha Joseph Greer, diretor de oncologia psiquiátrica do Hospital Geral de Massachusetts.

Greer desenvolveu um aplicativo para tablets, também apresentado no congresso, para controle de ansiedade em pacientes com câncer avançado. Segundo ele, os modelos on-line podem compensar a falta de profissionais de saúde mental e economizam o valioso tempo dos pacientes, por dispensar mais visitas a médicos.

Sintomas

Muito do bem-estar dos pacientes com câncer está no manejo dos sintomas. Comunicá-los para o médico, porém, não ocorre como deveria, segundo outro estudo em destaque na reunião da Asco.

"Os pacientes ficam hesitantes de ligar para o médico até que os problemas pareçam sérios. E, na consulta, há muitos tópicos e o tempo é limitado, o que faz com que sintomas não sejam totalmente comunicados", diz Ethan Basch, pesquisador da Universidade da Carolina do Norte.

Basch desenvolveu um site no qual pacientes com câncer relatavam seus sintomas. As pessoas, também recebiam e-mails semanais incentivando a comunicá-los.

Quando os sintomas se agravavam ou novos sintomas surgiam, o sistema enviava e-mails de alerta para a equipe médica, permitindo ações rápidas da equipe.

Com essa ação relativamente simples, os pesquisadores observaram que 31% dos pacientes apresentaram melhor qualidade de vida. Além disso, os pacientes no projeto viveram cerca de cinco meses a mais do que o grupo que não usou o site.

Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), afirma que, no tratamento de câncer, o contato entre médico e paciente precisa ser constante. "A relação não pode se limitar apenas às visitas à clínica."

De acordo com ele, a atenção extra pode trazer custos extras, mas pode muito bem ser oferecida a pacientes em serviços públicos. "No Icesp temos um programa chamado 'Alô enfermeiro' [com funcionamento 24h] que permite ligações diretas dos pacientes", diz Hoff.

Artur Katz, coordenador de oncologia do Hospital Sírio-Libanês, afirma que o uso de sites e aplicativos não é imprescindível para melhorar os problemas de relacionamento e comunicação entre médico e paciente.

"Não há necessidade de estabelecer um recurso de internet, mas de viabilizar condições para melhorar as relações humanas."

Cuidados Paliativos

Seguindo a tendência de preocupação com o bem-estar de pacientes, durante a reunião da Asco, foram atualizadas as recomendações de cuidados paliativos para pacientes com câncer.

A nova recomendação da Asco é que os cuidados sejam iniciados em até oito semanas após o diagnóstico do câncer avançado.

Anteriormente, a recomendação não era específica, referindo-se somente a um encaminhamento precoce aos cuidados.

"Os estudos vêm reforçando que a sobrevida da pessoa aumenta quanto mais cedo você introduz o cuidado paliativo", afirma André Filipe Junqueira dos Santos, vice-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).

Com a falta de especificação, os pacientes eram encaminhados tardiamente aos cuidados paliativos –que envolvem também educação relacionada à doença, evolução do quadro, assistência em relação a decisões médicas e controle do estresse.

"No Brasil, os oncologistas demoram até cinco meses, em média, para encaminhar um paciente com câncer avançado para cuidados paliativos", diz Santos.

Ao dar destaque aos cuidados paliativos, a recomendação da Asco também joga luz sobre a quimioterapia paliativa, apresentada por muitos oncologistas como a única opção do paciente.

"A quimioterapia é o que os médicos sabem. Eles a consideram como o único tratamento", afirma Santos.

Segundo Maria Goretti Maciel, diretora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, a Asco finalmente acordou para a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de começar precocemente os cuidados paliativos, juntamente com outras terapias que buscam prolongar a vida, como quimioterapia e radioterapia.

A OMS afirma que há 40 milhões de pessoas que necessitam de cuidados paliativos, dos quais somente 14% (5,6 milhões) o recebem.

"Se possível, os cuidados devem começar logo após o diagnóstico de qualquer doença grave e incurável, não somente o câncer", afirma Maria.

Além do câncer

Novas estratégias focam o bem-estar dos pacientes

Atenção ao sintomas
O que é
*Cientistas criaram um site para que pacientes com câncer reportassem sintomas

Problemas e objetivos
*Pelo tempo restrito em consultas, muitos sintomas não são comunicados às equipes médicas; cientistas queriam facilitar esse contato

Como funciona
*Toda semana pacientes recebiam e-mails de lembrança para reportarem os sintomas
*Em caso de piora ou de sintomas graves, a equipe médica recebia alertas

Resultados
*Médicos puderam tratar sintomas antes de se agravarem
*Pacientes que usaram o site viveram cinco meses a mais do que os que não usaram

Medo relacionado ao câncer

O que é
*Pesquisadores criaram site para que pacientes recém-diagnosticados fizessem terapia on-line

Problemas e objetivos
*Como pacientes costumam não ter apoio psicológico, os cientistas buscavam ajudá-los a enfrentar a doença e o tratamento

Como funciona
*Site ajudava no controle da atenção e do estresse, e ensinava técnicas de mindfulness
*Também auxiliava no planejamento de atividades

Resultados
*Médicos perceberam melhor qualidade de vida
*Também foram documentadas melhorias de estresse

Acompanhamento emocional

O que é
*Disponibilizar terapia presencial para pacientes em recidiva

Problemas e objetivos

*Pessoas já curadas do câncer têm medo de recidiva; pesquisadores queriam dar apoio a essas pessoas

Como funciona

*Pacientes em recidiva recebiam acompanhamento psicológico a partir de terapia presencial

Resultados
*Pesquisadores perceberam melhoria na qualidade de vida
*Menores taxas de estresse associado ao câncer

O jornalista PHILLIPPE WATANABE viajou a convite da Pfizer.

Fonte: Folha de São Paulo
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sites-reduzem-estresse-em-pacientes-com-cancer-e-controlam-sintomas/10861/7/ acesso em 20/06/17 as 10:03hs

Uma hora de corrida pode acrescentar sete horas à sua vida

Correr é a atividade física que tem o maior efeito no aumento da expectativa de vida, segundo um estudo que reuniu várias pesquisas para sobre exercício e morte prematura. Ao revisar as informações de uma pesquisa do Instituto Cooper, nos Estados Unidos, os cientistas descobriram que os corredores tendem a viver aproximadamente três anos a mais do que aqueles que não praticam esse esporte – mesmo que seja uma atividade esporádica ou que eles fumem, bebam álcool ou estejam acima do peso ideal. Nenhuma outra forma de exercício mostrou um efeito tão claro na vida útil das pessoas, como mostra reportagem de Phys Ed no New York Times.

Os cientistas descobriram que até mesmo cinco minutos de corrida diária já garantem uma vida mais prolongada.

De acordo com Duck-chul Lee, professor de Cinesiologia na Universidade estadual de Iowa e coautor do estudo, estatísticas mostraram que o ato de correr traz um retorno muito maior de tempo para a vida das pessoas do que as horas consumidas pelo exercício. Partindo de duas horas de treinamento semanais – a média reportada pelos participantes do estudo –, os pesquisadores acreditam que um corredor gastaria menos de seis meses correndo durante um período de 40 anos, mas poderia contar com um aumento na expectativa de vida de 3,2 anos, ou seja, um "ganho” de 2,8 anos. 

Em termos concretos, uma hora de corrida alonga a expectativa de vida em sete horas.

A descoberta segue-se à revisão de um estudo realizado há três anos, que envolveu os efeitos do exercício no ser humano. Realizado pelo Instituto Cooper, em Dallas, Texas, os cientistas se propuseram a verificar e cruzar dados para responder a questões de atletas. Correr só traz benefícios? Correr demais pode trazer danos? Outras atividades, como caminhadas e andar de bicicleta, trazem os mesmos benefícios da corrida na redução de riscos de mortalidade?

A revisão acabou reforçando conclusões de pesquisas anteriores. Os dados indicam que, seja qual for a distância ou a velocidade, correr diminui o risco de morte prematura em quase 40% – um benefício que se manteve até em casos em que o corredor fumava, bebia álcool e tinha um histórico de problemas de saúde, como hipertensão ou obesidade.

Com os números em mãos, os cientistas determinaram que se todo não-corredor do mesmo estudo decidisse praticar o esporte a partir de agora, haveria 16% menos mortes no total, e 25% menos ataques cardíacos fatais. (Vale dizer que a maioria dos participantes do estudo era composta por caucasianos de classe média)

O professor Lee afirma, porém, que não adianta alguém sair correndo por anos seguidos, no estilo Forrest Gump, achando que vai viver para sempre. "Correr não torna ninguém imortal”, diz o cientista. Os ganhos na vida útil atingem um máximo de três anos a mais, não importa o tempo que se passe correndo na vida.

Para os adeptos das corridas longas que acumulam quilômetros de passadas em suas vidas, a boa notícia é que não há um efeito negativo que seja visível. Correr muito não faz alguém viver para sempre, mas também não encurta a vida de ninguém. O aumento na expectativa de vida atinge seu ponto máximo quando as pessoas correm quatro horas por semana.

Outros tipos de exercício também revelaram benefícios para o quesito longevidade, mas não na mesma proporção que a corrida. Caminhar, andar de bicicleta e praticar outras atividades que exijam o mesmo nível de esforço do corpo, só conseguiam diminuir o risco de morte prematura em cerca de 12%.

O que os cientistas não conseguiram determinar é por que correr é tão eficaz contra a mortalidade. Segundo Lee, a causa poderia estar no seu combate a tantos riscos comuns para morte prematura, incluindo pressão alta e acúmulo de gordura, principalmente na cintura. Correr também promove o aumento no preparo aeróbico, que é um dos indicadores mais conhecidos de saúde no longo prazo.

É importante lembrar que as conclusões desta revisão de estudos são associáveis. "Os corredores normalmente levam uma vida mais saudável”, diz Lee. "E esse estilo de vida pode ter um peso maior na busca pela longevidade”.

O fato principal permanece; correr realmente acrescenta anos às nossas vidas.

Fonte: Época Negócios
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/uma-hora-de-corrida-pode-acrescentar-sete-horas-a-sua-vida/10854/7/ acesso em 20/06/17 as 10:00hs