terça-feira, 4 de abril de 2017

Alimentos ultraprocessados

Alimentos ultraprocessados:
Bolos, tortas e biscoitos doces
Lanches do tipo fast food (d)
Refrigerantes e sucos de frutas industrializados
Pães de forma, de hamburguer, de hot dog e similares
Guloseimase  (e)
Bolachas salgadas e salgadinhos tipo chips
Embutidos
Pratos prontos ou semiprontos (f)
Bebidas lácteas adoçadas
Outros alimentos ultraprocessadosg


d Hambúrguer e cheeseburguer, hot dog, salgados fritos e assados e semelhantes.
e Balas, confeitos, chocolates, gelatina, pudins e sorvetes.
f Pizzas, pratos de massa ou de carne congelados, macarrão instantâneo e sopas em pó.
g Margarina, molhos industrializados e cereais matinais.

INCA alerta para alimentos ultraprocessados e mostra como os consumidores podem se proteger

31/03/2017 - O incentivo para se voltar a cozinhar em casa, como uma tarefa da família, faz parte das ações e políticas intersetoriais para frear a epidemia de sobrepeso e obesidade que vem afetando a população em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O principal benefício é o acesso à comida de verdade e mais saudável, reduzindo o desequilíbrio entre calorias consumidas e calorias gastas, prevenindo vários tipos de câncer.
Esse foi o tema central do seminário em celebração ao Dia Nacional da Saúde e Nutrição, 31 de março, promovido pelo INCA. Além de apresentações técnicas, o encontro contou com a presença da chef Rita Lobo, que falou de uma forma simples como comer de forma saudável. Ela fez questão de dizer que consumir alimentos diet e light não é o caminho para ter uma alimentação saudável e sim comer comida de verdade, como arroz e feijão. “As pessoas me perguntam muito no Twitter: ‘O que devo comer para emagrecer?’. E eu respondo: ‘Menos’."
O evento foi organizado pela Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do INCA, que está completando 10 anos. Na ocasião foi lançado um vídeo sobre obesidade infantil.
O médico Carlos Augusto Monteiro explicou de forma bem didática o que são os alimentos ultraprocessados, que, na verdade, nem deveriam ser chamados de alimentos: são produtos para comer que têm uma quantidade mínima de alimentos e uma quantidade enorme de aditivos, como saborizantes, espessantes, emulsificantes etc para dar aparência, textura e gosto de comida a essas misturas. Eles foram criados para substituir os alimentos naturais, que devem ser a base da alimentação.
Uma dica do médico foi olhar a lista de ingredientes: os ultraprocessados são compostos por pelo menos meia dezena de itens, a maioria que ninguém tem na sua cozinha. Outra forma fácil de identificar os ultraprocessados é pensar em produtos que podem ser consumidos a qualquer hora e lugar, pois já vêm prontos, como bebidas açucaradas e salgadinhos. “São produtos que podem ser comidos enquanto se faz outra atividade", disse, exibindo fotos de pessoas comendo e dirigindo ao mesmo tempo.
O assessor regional de Nutrição e Atividades Físicas da Opas, Fabio Gomes, chamou a atenção para a importância da diversidade no campo para que os alimentos possam manter sua gama de micronutrientes. “Se você pegar uma planta saudável como a quinoa e tirá-la do seu habitat, ela vai deixar de expressar seus benefícios. Quanto maior a área de plantio de uma cultura, menor a quantidade de micronutrientes", destacou.
Fabio também frisou a importância da regulação da publicidade do setor, não só para produtos destinados a crianças. “O Chile foi o primeiro país da América Latina a banir personagens infantis das embalagens de cereais destinados a esse público", citou.
Também fizeram palestras o coordenador de Assistência do INCA, Gélcio Mendes, que falou da relação entre obesidade e tratamento do câncer; Bruna Pitasi, nutricionista da Coordenação-geral de Alimentação e Nutrição da SAS/MS e Inês Rugani Ribeiro de Castro, professora de Nutrição da Uerj e coordenadora do Núcleo de Alimentação e Nutrição em Políticas Públicas da universidade. Para esta última, “para comer a comida de verdade é preciso conhecer a verdade sobre a comida".
(Matéria atualizada em 04/04/2017)
Fonte: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/agencianoticias/site/home/noticias/2017/inca_alerta_para_alimentos_ultraprocessados_e_mostra_como_os_consumidores_podem_se_proteger acesso em 04/04/17 às 13;39h

ALIMENTOS E MEDICAMENTOS: RISCOS E BENEFÍCIOS

Para o perfeito funcionamento do corpo precisamos dos alimentos. Já os medicamentos servem para prevenir, curar ou aliviar sintoma de alguma doença. É preciso estar atento com a interação entre esses dois elementos.
As interações medicamentosas são um evento clínico em que os efeitos de um medicamento são alterados pela presença de outro medicamento, alimento, bebida ou algum agente químico ambiental externo.  Ou seja, quando apenas é administrado um fármaco ele produz um determinado efeito esperado. Porém, quando o fármaco é associado a outro, ou alimentos e substâncias como tabaco, drogas, etc., ocorrem um efeito diferente do esperado, caracterizado como interação. Não significa que todos os remédios tenham alteração com todos os alimentos, em todas as pessoas. Vários fatores podem interferir como: tipo da medicação, idade, sexo, estado clínico do paciente. É preciso estar atento à alimentação que é ingerida.
O medicamento pode ter sua eficiência comprometida se ingerido na presença de alimentos no estômago; os antiácidos, os antibióticos, os antidepressivos merecem atenção para uma melhor absorção pelo organismo.
O álcool e a cafeína são dois grandes "vilões" na opinião dos especialistas. Os farmacêuticos alertam que chás, refrigerantes, bebidas energéticas e até chocolates podem conter cafeína.
Em relação ao álcool, a recomendação é só usar analgésico depois de no mínimo 6 horas para não produzir efeito tóxico.
Há alguns medicamentos que podem ser tomados próximos às refeições para evitar o desconforto gástrico.
A ingestão de leite com medicamentos merece atenção; sais de ferro, laxante e antibióticos não devem ser ingeridos com leite pois reduz a absorção.
Medicamentos anticoagulantes como a Varfarina (usado para infarto, trombose ou embolismo pulmonar)  não devem ser ingeridos junto com alimentos ricos em vitamina K.
O ideal é tirar as dúvidas com o médico que prescreveu o medicamento.  

segunda-feira, 3 de abril de 2017

SUS oferece linha de cuidado à pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo

Quando o filho tinha dois anos, a aposentada Marisa Furia Silva observou mudanças em seu comportamento. “Ele parou de falar o que já falava e começou a dar cabeçadas no chão e na parede. Fui numa psicóloga e ela deu o diagnóstico. Eu nem sabia o que era autismo. Dois neurologista confirmaram o diagnóstico depois”, conta Marisa. Renato hoje tem 38 anos.
A aposentada descobriu o autismo do filho em 1980. Naquela época, as pessoas não tinham a facilidade de acesso a informação que existe hoje. Pela falta de conhecimento diante da realidade, surgiu a ideia de unir famílias de pessoas com autismo para dar apoio e suporte. Marisa, que é uma das fundadoras da Associação de Amigos do Autista (AMA), juntamente com outros pais decidiram se reunir para construir uma proposta de futuro que amparasse seus filhos, e proporcionasse a eles maior independência, autonomia e inclusão social.
 Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), por apresentarem características centrais como dificuldades sociais e de comunicação, estão sujeitas a um comprometimento do desenvolvimento cognitivo e de linguagem. Desse modo, podem desenvolver tipos leves, moderados ou graves de deficiência intelectual ou dificuldades de aprendizagem específica. A Organização Mundial de Saúde estima que 1 em cada 160 crianças tenha Transtorno do Espectro do Autismo no mundo. Ainda há carência de estudos que apontem esta estimativa para a população brasileira.
Nos últimos anos, muitos foram os avanços no campo dos direitos das pessoas com Deficiência, sobretudo às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo. Com a instituição da Lei nº 12.764 em 2012, a pessoa com transtorno do espectro do autismo passou a ser considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais, o que confere a estas pessoas o direito ao acesso a várias políticas e benefícios sociais.
No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso às ações e serviços de saúde devem ser assegurados de modo a garantir o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional, os medicamentos e as informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento. Todo projeto terapêutico para a pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo precisa ser construído com a família e a própria pessoa. Deve envolver uma equipe multiprofissional e conter proposições que possam melhorar a qualidade de vida.
Marisa Furia, mãe de Renato, acredita que teve “sorte” de ter tido o diagnóstico do filho tão cedo e destaca os avanços nas políticas referente à identificação e diagnóstico precoce do transtorno. “Ninguém sabia direito como lidar com essas crianças e desde o começo, a nossa briga, foi para que criassem políticas públicas para eles. Hoje a gente já consegue diagnosticar muito rápido e eu acho que isso é fundamental. O retardo no diagnóstico da criança vai impactar a condição de ter uma melhora de vida. Os pais precisam saber qual é o problema que seus filhos tem”, explica Marisa.
A partir de um diagnóstico ou da identificação de sinais do Transtorno do Espectro do Autismo, é possível iniciar a intervenção e a orientação à família gerando ganhos significativos e duradouros no desenvolvimento da criança, garantindo assim uma vida mais autônoma e uma melhor qualidade de vida. Para isso, é fundamental que os serviços de saúde estejam preparados para atender às especificidades das pessoas com autismo.
Ao mesmo tempo, é importante lembrar que as classificações diagnósticas devem estar sempre abertas para serem aperfeiçoados, pois são mutáveis ao longo do tempo, e só adquirem sentido se utilizados no contexto de um processo diagnóstico contínuo e complexo que coloque sempre em primeiro lugar a pessoa e não o seu transtorno.
Nesse sentido, um indivíduo “com” TEA não “é” um “autista”. Um rótulo classificatório estigma não é capaz de captar a totalidade complexa de uma pessoa, nem, muito menos, a dimensão humana irredutível desta.
Cuidado em Rede
Em 2012, foi instituída a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência cujos objetivos são ampliar o acesso e qualificar o atendimento às pessoas com deficiência; promovendo a vinculação das pessoas com deficiência e suas famílias aos serviços do SUS; garantir a articulação e a integração dos pontos de atenção da rede de saúde no território; promover cuidados em saúde especialmente dos processos de reabilitação; promover a reabilitação e a inserção ou reinserção das pessoas com deficiência, por meio do acesso ao trabalho, à renda e à moradia solidária, em articulação com os órgãos de assistência social, entre outros.
A Atenção Básica funciona como porta de entrada do SUS e desempenha papel fundamental para a identificação de sinais iniciais de problemas ou suspeita de autismo, possibilitando a intervenção precoce, proporcionando maiores ganhos funcionais e qualidade de vida. Aqui se encontram as Unidades Básicas de Saúde e de Saúde da Família, além das Equipes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, que ampliam a efetividade de ações das equipes de Atenção Básica, incluindo as ações para a identificação precoce para o Transtorno do Espectro do Autismo.
Diante da grande variedade das manifestações, uma ampla oferta de possibilidades de tratamento constitui uma importante estratégia na atenção às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo, respondendo de forma mais adequada aos diversas graus de limitações funcionais.
Nesse sentido, no âmbito da atenção especializada, destaca-se o papel dos Centros Especializados em Reabilitação (CER) enquanto pontos de atenção ambulatorial especializada em reabilitação que realizam o diagnóstico e o tratamento em reabilitação, que inclui a estimulação precoce além da disponibilização, adaptação e manutenção de tecnologias assistivas. Todos os estados do país contam com CER habilitados pelo Ministério da Saúde a prestar atendimento em reabilitação, totalizando 187 CER em todo o país.
Os resultados do processo de reabilitação são percebidos e medidos por meio da melhora da funcionalidade do indivíduo, ao longo do tempo, que se traduz na participação e progressos em atividades cotidianas, tais como mobilidade, autocuidados em higiene, trabalho, mudanças no uso de recursos e comunicação. A melhoria da funcionalidade repercute em uma melhor qualidade de vida do indivíduo.
Cabe ainda aos Centros Especializados em Reabilitação desenvolver estratégias terapêuticas direcionadas a reestruturar e compensar as perdas funcionais, como também prevenir ou retardar uma possível deterioração da capacidade funcional, estando os processos de reabilitação focados nos processos cognitivos, de linguagem oral, escrita e verbal e da comunicação da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo.
Saiba onde encontrar Centros Especializados em Reabilitação próximo a você 
Ao lado da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência está a Rede de Atenção Psicossocial - RAPS Instituída pela Portaria GM/MS nº 3.088, de 23/12/2011, a RAPS prevê a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do SUS. Destacam-se como objetivos específicos: promover cuidados em saúde especialmente a grupos mais vulneráveis (criança, adolescente, jovens, pessoas em situação de rua e populações indígenas) e produzir e ofertar informações sobre direitos das pessoas, medidas de prevenção e cuidado e os serviços disponíveis na rede.
O CAPS é o serviço especializado da RAPS que oferecem cuidado às pessoas em sofrimento psíquico, tendo em vista promover a atenção psicossocial junto aos usuários do SUS, inclusive suas famílias. Também é função do CAPS ofertar apoio matricial às equipes de saúde da família e aos pontos de atenção às urgências, apoiando e subsidiando o processo diagnóstico, o acompanhamento direto das situações graves e se corresponsabilizando pela atenção às urgências. 
O trabalho nos CAPS é realizado prioritariamente em espaços coletivos (grupos, assembleias de usuários, reunião diária de equipe) e o serviço deve se organizar tanto para ser porta aberta às demandas de saúde mental do território e de forma articulada com os outros pontos de atenção da rede de saúde e das demais redes. Dentre as atividades desenvolvidas no serviço estão as estratégias de reabilitação psicossocial que buscam promover e intensificar ações de fortalecimento do protagonismo de usuários e familiares da RAPS e outras iniciativas fundamentais para a garantia de efetiva participação social e de acesso aos direitos, como o acesso à cultura e à educação.
Ao considerar as tendências ao isolamento, as dificuldades no contato com os outros e as limitações de comunicação como questões centrais para o cuidado, torna-se ainda mais importante o trabalho numa rede efetiva que trabalhe para ampliação dos laços sociais. Há necessidade de uma visão multidimensional não estereotipada das dificuldades apresentadas, que devem ser contextualizadas.
Possíveis limitações de fala não querem dizer que não haja possibilidade de escolhas. Um quadro de agitação pode expressar diferentes questões, como dor de dente ou uma reação a modificações na rotina. A família e a equipe de cuidado precisam estar atentos à singularidade de cada situação.
Atos que se apresentam muitas vezes sem lógica, de forma repetitiva, estereotipada, podem ser formas possíveis de estabelecer contato com o outro, não devendo ser necessariamente suprimidos. Se os atos são desconsiderados, acaba-se distanciando a possibilidade de participação da pessoa nos contextos sociais. Deve-se entender esses atos como tentativas desses sujeitos reagirem a estímulos ou situações, e desta forma, pode-se potencializar expressão de interesses e identificar habilidades a serem desenvolvidas.
Desde 2013, os profissionais da Rede SUS contam com dois documentos publicados pelo Ministério da Saúde: Linha de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e seus Familiares na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde e as Diretrizes de Atenção à Reabilitação das Pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Ambos, elaborados com a participação de gestores, especialistas, pesquisadores e entidades da sociedade civil, tratam do cuidado à pessoa com Autismo e suas especificidades dentro das Redes Temáticas: a Rede de Atenção Psicossocial e a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
  • Acesse aqui o documento Linha de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e seus Familiares na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde.
  • Acesse aqui o documento Diretrizes de Atenção à Reabilitação das Pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
 Gabrielle Kopko, para o Blog da Saúde http://www.blog.saude.gov.br/index.php/entenda-o-sus/52495-sus-oferece-linha-de-cuidado-a-pessoa-com-transtorno-do-espectro-do-autismo acesso em 03/04/17 às 09:59h

Depressão é tema de campanha da OMS para Dia Mundial da Saúde de 2017

Para o Dia Mundial da Saúde de 2017, lembrado em 7 de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu início a uma campanha sobre depressão, transtorno que pode afetar pessoas de qualquer idade em qualquer etapa da vida.
Com o lema “Let’s talk” (“Vamos conversar”, em português), a iniciativa reforça que existem formas de prevenir a depressão e também de tratá-la, considerando que ela pode levar a graves consequências.
Conversar abertamente sobre depressão é o primeiro passo para entender melhor o assunto e reduzir o estigma associado a ele. Assim, cada vez mais pessoas poderão procurar ajuda.

Principais fatos

A depressão é um transtorno mental frequente. Globalmente, estima-se que 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com esse transtorno.
Depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma muito importante para a carga global de doenças. Mais mulheres são afetadas pela depressão que homens. Existem vários tratamentos eficazes para a doença.
A condição é diferente das flutuações usuais de humor e das respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou grave, a depressão pode se tornar uma séria condição de saúde.
Ela pode causar à pessoa afetada um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar. Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano — sendo a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.
Embora existam tratamentos eficazes conhecidos para depressão, menos da metade dos afetados no mundo (em muitos países, menos de 10%) recebe tais tratamentos. Os obstáculos ao tratamento eficaz incluem a falta de recursos, a falta de profissionais treinados e o estigma social associado aos transtornos mentais.
Outra barreira ao atendimento eficaz é a avaliação imprecisa. Em países de todos os níveis de renda, pessoas com depressão frequentemente não são diagnosticadas corretamente e outras que não têm o transtorno são muitas vezes diagnosticadas de forma inadequada.
A carga da depressão e de outras condições de saúde mental está em ascensão no mundo. Uma resolução da Assembleia Mundial da Saúde aprovada em maio de 2013 exigiu uma resposta abrangente e coordenada aos transtornos mentais em nível nacional.

Tipos e sintomas

Um episódio depressivo pode ser categorizado como leve, moderado ou grave, a depender da intensidade dos sintomas. Um indivíduo com um episódio depressivo leve terá alguma dificuldade em continuar um trabalho simples e atividades sociais, mas provavelmente sem grande prejuízo no funcionamento global. Durante um episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas.
Uma distinção fundamental também é feita entre depressão em pessoas que têm ou não um histórico de episódios de mania. Ambos os tipos de depressão podem ser crônicos (isto é, acontecem durante um período prolongado de tempo), com recaídas, especialmente se não forem tratados.
O transtorno depressivo recorrente envolve repetidos episódios depressivos. Durante esses períodos, a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades em geral por pelo menos duas semanas.
Muitas pessoas com depressão também sofrem com sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e de apetite e podem ter sentimentos de culpa ou baixa autoestima e falta de concentração.
Já o transtorno afetivo bipolar consiste na alternância entre episódios de mania e depressivos, separados por períodos de humor normal. Episódios de mania envolvem humor exaltado ou irritado, excesso de atividades, pressão de fala, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono, além da aceleração do pensamento.
A depressão resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida (desemprego, luto, trauma psicológico) são mais propensas a desenvolver depressão. A depressão pode, por sua vez, levar a mais estresse e disfunção e piorar a situação de vida da pessoa afetada e o transtorno em si.
Há relação entre a depressão e a saúde física; por exemplo, doenças cardiovasculares podem levar à depressão e vice e versa.
Está demonstrado que os programas de prevenção reduzem a incidência da depressão. Entre as estratégias comunitárias eficazes para prevenir essa condição, estão os programas escolares que promovem um modelo de pensamento positivo entre crianças e adolescentes.
Intervenções direcionadas aos pais de crianças com problemas comportamentais podem reduzir os sintomas depressivos dos pais e melhorar os resultados de seus filhos. Os programas de exercício para pessoas idosas também podem ser eficazes para prevenir a depressão.

Diagnóstico e tratamento

Existem tratamentos eficazes para depressão moderada e grave. Profissionais de saúde podem oferecer tratamentos psicológicos, como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal ou medicamentos antidepressivos.
Os provedores de saúde devem ter em mente a possibilidade de efeitos adversos associados aos antidepressivos, a possibilidade de oferecer outro tipo de intervenção (por disponibilidade de conhecimentos técnicos ou do tratamento em questão) e preferências individuais.
Entre os diferentes tratamentos psicológicos a serem considerados estão os individuais ou em grupo, realizados por profissionais ou terapeutas leigos supervisionados.
Os tratamentos psicossociais também são efetivos para depressão leve. Os antidepressivos podem ser eficazes no caso de depressão moderada-grave, mas esses medicamentos não são a primeira linha de tratamento para os casos mais brandos, não devem ser usados para tratar depressão em crianças e tampouco são a primeira linha de tratamento para adolescentes. É preciso utilizá-los com cautela.

Resposta da OMS

A depressão é uma das condições prioritárias cobertas pelo Mental Health Gap Action Programme (mhGAP) da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O programa visa a ajudar os países a aumentar os serviços prestados às pessoas com transtornos mentais, neurológicos e de uso de substâncias, por meio de cuidados providos por profissionais de saúde que não são especialistas em saúde mental.
A iniciativa defende que, com cuidados adequados, assistência psicossocial e medicação, dezenas de milhões de pessoas com transtornos mentais, incluindo depressão, poderiam começar a levar uma vida normal — mesmo quando os recursos são escassos.
Fonte: https://nacoesunidas.org/depressao-e-tema-de-campanha-da-oms-para-dia-mundial-da-saude-de-2017/ acesso em 03/04/17 às 09:56 h

Rastreamento do câncer colorretal é negligenciado no Brasil

Março é o mês de conscientização sobre o câncer colorretal. Enquanto alguns veículos têm repercutido uma tendência de aumento de incidência entre pacientes jovens nos Estados Unidos, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) alerta que o rastreamento assintomático e também a investigação dos sintomas na população com mais de 50 anos são negligenciados em nosso país.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimava 16,6 mil casos novos de câncer de cólon e reto em homens e 17,6 mil em mulheres em 2016. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer colorretal é o segundo mais frequente em pacientes de ambos os sexos no Sudeste, a região mais populosa do Brasil. Nas demais, aparece como o terceiro ou quarto tipo de câncer mais incidente.

Apesar desses números, não é feito o rastreamento assintomático de câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, este tipo de política pública se restringe ao câncer de mama e ao de colo do útero. A falta de acesso ocorre também no sistema suplementar, onde os exames para detecção precoce são cobertos mas não alcançam a população-alvo de forma adequada. "O screening de câncer colorretal, o rastreamento da doença assintomática, é negligenciado na grande maioria da população. Mesmo naqueles 20% que têm plano de saúde, é incomum encontrar alguém que fez colonoscopia aos 50 anos porque o médico solicitou”, afirma o Dr. Gustavo Fernandes, presidente da SBOC.

Um dos motivos que ajudam a explicar esta falta de cuidado é a complexidade da colonoscopia, procedimento invasivo, que requer preparo intestinal e sedação, ocorre pela via retal e tem custo elevado. Por outro lado, permite a visualização de todo o intestino grosso e a remoção das lesões consideradas suspeitas durante o próprio exame.

Dados do Registro Hospitalar de Câncer, coordenado pela Fundação Oncocentro de São Paulo, mostram que os novos casos de câncer colorretal entre os moradores da capital paulista, em 2009 e 2010, tiveram diagnóstico tardio. Os casos com estadiamento III ou IV da classificação TNM, aqueles com pior prognóstico, superaram 51% do total. "Nem todo mundo vê os pacientes com câncer sofrerem. Eu vejo. Quando o paciente chega [ao consultório], tem um bom estado geral, plano de saúde, histórico familiar, deveria ter feito o exame e não fez, eu fico muito aborrecido, porque o indivíduo poderia estar curado; poderia ter tirado um pólipo durante uma colonoscopia e ter resolvido”, indigna-se o Dr. Gustavo.

Quanto ao número de mortes causadas pelo câncer colorretal, ocorreram 15.415 no Brasil em 2013, sendo 7.387 homens e 8.024 mulheres, conforme informação do Inca. A mortalidade vem crescendo no país: foram 4,51 a cada 100 mil habitantes de 1985 a 1994; 5,53 de 1995 a 2004; e 6,73 de 2005 a 2014. O aumento é de 50% em 30 anos. De acordo com o presidente da SBOC, as chances de cura são enormes quando a doença é diagnosticada precocemente.

A prevenção primária do câncer colorretal está associada a uma dieta rica em fibras, frutas, verduras, cereais e peixes, e com menos carnes vermelhas e processadas e gordura de origem animal. Também são aspectos importantes praticar atividade física regularmente, evitar o excesso de peso, limitar o consumo de álcool e não fumar.

Questão de saúde pública

Segundo publicação da Prefeitura de São Paulo, o câncer de cólon e reto preenche os requisitos para um rastreamento populacional: caracteriza-se como problema de saúde pública; existe um método não invasivo, de baixo custo e aceitável para aplicação em nível populacional, a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF); a detecção precoce e o tratamento das lesões precursoras ou do tumor inicial levam à redução da prevalência e mortalidade; e há terapias efetivas contra a doença.

A União Europeia recomenda, desde 2003, que seus estados membros adotem o rastreamento populacional para o câncer colorretal, com a realização de PSOF na população assintomática entre 50 e 74 anos, seguida de colonoscopia nos casos positivos. Ainda conforme a Prefeitura de São Paulo, diferentes estudos internacionais apontam para uma redução de óbitos por câncer de cólon e reto de 14% a 18% com exames bianuais e de 33% quando o rastreamento se faz anualmente.

Estudo brasileiro com a população de Santa Cruz das Palmeiras, no interior de São Paulo, constatou incidência 16% menor de câncer colorretal no grupo do rastreamento no período de 5 a 7 anos após o término do programa em comparação ao índice registrado antes da campanha.

Outra iniciativa neste sentido ocorre na zona leste da capital paulista desde junho de 2016. A Universidade de São Paulo, a Atenção Primária à Saúde Santa Marcelina, a Fundação Oncocentro de São Paulo, o Hospital das Clínicas da FMUSP e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo devem recrutar 12 mil pessoas de 50 a 75 anos. O projeto busca avaliar a viabilidade da implantação do rastreamento de câncer colorretal como política pública do SUS de São Paulo. O estudo medirá a taxa de adesão das pessoas às técnicas de rastreamento e a proporção de casos positivos para dimensionar a estrutura secundária e a rede de serviços necessária à continuidade do tratamento desses pacientes.

Segundo o Dr. Ulysses Ribeiro, cirurgião do aparelho digestivo e pesquisador executante do projeto, até março foram feitos 6 mil testes de sangue oculto nas fezes. Os pacientes com resultado positivo receberam encaminhamento para a colonoscopia. Em 70% dos 140 exames realizados foram encontrados pólipos ou tumores. O diagnóstico de câncer colorretal ocorreu em 14 casos. Nos demais, a grande maioria dos pólipos foi removida ou tratada. "Nosso objetivo é concluir o projeto até o fim de 2017 e apresentar os dados completos de forma a embasar a proposta de tornar o rastreamento uma política pública permanente”, explica o especialista.

O Dr. Gustavo Fernandes adverte que, hoje, o negligenciamento tanto no rastreamento do paciente assintomático quanto na investigação dos sintomas leva a diagnósticos tardios e muito sofrimento. "O indivíduo passa dois, três anos evacuando sangue até conseguir fazer uma colonoscopia ou até o médico pedir e dizer que não é hemorroida”, relata.

"É preciso que as pessoas abram um pouco mais a mente para fazer a colonoscopia quando é necessário. Nós, médicos, devemos ser mais desconfiados quando o paciente está em bom estado geral e solicitar o exame do paciente assintomático, o que também salva vidas”, ressalta o presidente da SBOC.

Aumento em pacientes jovens

Nos Estados Unidos, onde existe maior acesso aos exames preventivos, a incidência de câncer colorretal vem declinando nas pessoas acima de 50 anos. Em contrapartida, estudo publicado em fevereiro no Journal of the National Cancer Institute revelou que, de cada dez pessoas que recebem o diagnóstico de câncer colorretal, três têm menos de 55 anos. Entre 1974 e 2013, as taxas de câncer retal aumentaram 3,2% ao ano na faixa etária de 20 a 29 anos. Desde 1980, subiram 3,2% ao ano em pessoas de 30 a 39 anos. A partir da década de 1990, cresceram 2,3% ao ano em adultos de 40 a 54 anos.

Os autores da pesquisa apontam que quem nasceu em 1990 tem o dobro do risco de câncer de cólon e o quádruplo do risco de câncer retal em comparação com alguém nascido em 1950. Embora os pesquisadores afirmem que o risco absoluto ainda seja pequeno nos jovens, acreditam que os nascidos nos anos 80 e 90 carregarão o risco para a frente com eles à medida que envelhecerem.

O Dr. Gustavo Fernandes não vê motivos para alarde. "Até agora, existe uma percepção de que os casos estão aumentando entre jovens. As estatísticas são relativamente pobres ainda. Não há nenhuma providência a ser tomada por enquanto”, diz. "Temos uma missão muito importante com as pessoas acima de 50 anos antes de discutir, enquanto sociedade brasileira, o screening para os mais jovens”, pondera o presidente da SBOC.

Contudo, o oncologista lembra que qualquer pessoa pode ter câncer. "Sangue nas fezes, constipação, perda de peso e diarreia crônica são sintomas sérios que necessitam de investigação em qualquer idade para que o diagnóstico seja precoce”, finaliza.

Fonte: Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/rastreamento-do-cancer-colorretal-e-negligenciado-no-brasil/10532/7/ acesso em 03/04/17 às 09:31h

sábado, 1 de abril de 2017

2ª edição do Curso de Acidentes Tóxicos por Animais Peçonhentos

stão abertas as inscrições para a 2ª edição do Curso EaD de Acidentes Tóxicos por Animais Peçonhentos. Ele é gratuito e ocorrerá entre os meses de abril e maio de 2017. As inscrições poderão ser realizadas até dia 12 de abril deste ano ou até esgotarem as vagas.
O objetivo do curso, desenvolvido pelo TelessaúdeRS-UFRGS, em parceria com o Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (CIT-RS), é qualificar os profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde/Atenção Básica (APS/AB) e os estudantes de graduação da área da saúde do Brasil no reconhecimento de animais peçonhentos que representam risco de acidente para a comunidade.
O curso terá a carga horária de 20 horas e será realizado via plataforma Moodle do TelessaúdeRS-UFRGS. Ao final do curso o aluno terá condições identificar os animais de interesse toxicológico, locais e situações de risco, realizar coletas com segurança, reconhecer os acidentes causados e tomar as primeiras providências frente a casos de picada ou contato com estes animais. O certificado será emitido pelo Portal de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, somente de forma eletrônica, com valor único de R$4,00.
Para obter mais informações sobre o curso clique aqui.

Para realizar sua inscrição clique aqui.
O TelessaúdeRS-UFRGS ainda desenvolveu um aplicativo para servir de auxílio na identificação dos principais animais peçonhentos e venenosos existentes no RS, bem como para orientação para utilização de medidas de prevenção de acidentes e de informações gerais sobre soros antivenenos.
App disponível para Android e IOS.
Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS http://www.blog.saude.gov.br/index.php/cursos-e-eventos/52485-inscricoes-abertas-para-2-edicao-do-curso-de-acidentes-toxicos-por-animais-peconhentos acesso em 01/04/17 às 08:22h