segunda-feira, 12 de junho de 2017

INCA 80 anos: inscrições já estão abertas

A programação preliminar do Congresso INCA 80 Anos: Desafios e Perspectivas para o Controle do Câncer no Século XXI já pode ser conhecida no site do evento. No Congresso, serão abordados os múltiplos aspectos relacionados ao controle do câncer, como a formulação de políticas públicas, estratégias de prevenção da doença, formação de recursos humanos, desenvolvimento de pesquisas e cuidado integral ao paciente. O evento será realizado nos dias 29 e 30 de setembro, no hotel Othon Palace, em Copacabana, no Rio de Janeiro, e tem como slogan “Toda uma vida cuidando de vidas".


http://www.blog.saude.gov.br/index.php/cursos-e-eventos/52671-inca-80-anos-inscricoes-ja-estao-abertas acesso em 12/06/17 às 18:18h

Fiocruz sediará 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva

Em defesa da democracia e do SUS, o presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gastão Wagner de Souza Campos, e a presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade Lima, estarão juntos no dia 20 de junho para o lançamento do próximo Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o 12º Abrascão, a ser realizado no campus da Fiocruz no Rio de Janeiro.
Na ocasião também será instalada a Comissão Organizadora Local do Congresso, que contará com a participação de Antonio José Leal Costa, diretor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); de Aluísio Gomes da Silva Júnior, diretor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (UFF), e de Gulnar Azevedo e Silva, diretora do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
O mais importante evento da Abrasco pretende reunir professores, pesquisadores, gestores, alunos de graduação e pós-graduação de todas as áreas da Saúde Coletiva, como Epidemiologia, Ciências Sociais e Humanas em Saúde e Política, Planejamento e Gestão em Saúde, além das questões relacionadas à Ciência e Tecnologia em Saúde.
“Nosso próximo Abrascão acontecerá em julho do ano que vem, dentro do campus da Fiocruz, aqui em Manguinhos, no Rio de Janeiro. Pelo simbólico, pelo o que representa a tradição da Saúde Pública que começa com a vacinação, usando técnicas sanitárias contra a varíola, interferindo na vida da cidade. Queremos retomar este pensar a cidade, em nossa intervenção, pois enfrentamos agora vários problemas de degradação urbana e queremos combinar esta tradição e esta história da saúde pública com a renovação, e com os jovens da Abrasco, por isso pensamos num congresso aqui na Fundação Oswaldo Cruz”, explica Gastão.
“A realização do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva dentro do campus trará um sentido maior, político e de mobilização de toda a nossa comunidade” afirmou a presidente da Fiocruz Nísia Trindade. As comunidade da Fiocruz e demais universidades estão sendo convidadas para participarem do evento do dia 20 no sentido de se mobilizarem desde já para assegurar condições políticas, logísticas e financeiras para a realização do 12º Abrascão.
História
O primeiro congresso da Abrasco aconteceu em 1986, no Rio de Janeiro, reunindo menos de duas mil pessoas no campus da Uerj e foi realizado logo depois da Oitava Conferência Nacional de Saúde. Sob o tema Reforma Sanitária e Constituinte: garantia do direito universal à saúde, o congresso foi realizado em setembro de 1986.
Na sua 8ª edição, o Abrascão voltou para o Rio de Janeiro, sendo realizado simultaneamente com o 11º Congresso Mundial de Saúde Pública. Os eventos aconteceram de 21 a 25 de agosto de 2006, na capital carioca sob o tema Saúde Coletiva em um mundo globalizado: rompendo barreiras sociais, econômicas e políticas.
Serviço:
Lançamento do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva
Dia 20 de junho, terça-feira, de 10h às 13h
No auditório térreo da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz)
Fonte: Vilma Reis (Abrasco)
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/cursos-e-eventos/52675-fiocruz-sediara-12-congresso-brasileiro-de-saude-coletiva acesso em 12/06/17 às 18:13h

segunda-feira, 5 de junho de 2017

‘Névoa mental’ do câncer de mama é resultado de estresse pós-traumático

O "nevoeiro mental” frequentemente experimentado por pacientes de câncer de mama após a quimioterapia pode ser devido mais ao estresse pós-traumático do que em razão dos medicamentos usados contra o câncer, sugere um novo estudo publicado recentemente no " Journal of the National Cancer Institute”.

- Pacientes que se queixam de problemas cognitivos podem na verdade estarem sofrendo com estresse pós-traumático ou outras consequências psicológicas substanciais advindas do fato de terem câncer, que pode ser tratado - afirmou Kerstin Hermelink, médica do do Hospital Universitário CCCLMU de Munique, Alemanha, à agência Reuters Health. - Os médicos devem, portanto, ouvir atentamente seus pacientes que se queixam de deficiências cognitivas e tentar compreender a sua situação individual para descobrir o que este paciente precisa - acrescentou.

Os efeitos da quimioterapia no cérebro foram inicialmente responsabilizados pela "névoa mental” às vezes experimentada por mulheres com câncer de mama, mas sintomas semelhantes foram relatados por pacientes com câncer de mama que ainda não haviam começado a sua quimioterapia e até mesmo por aquelas cujo tratamento não incluía quimioterapia, observaram Hermelink e colegas no estudo.

Para investigar o porquê disso, os pesquisadores estudaram 150 mulheres que acabavam de ser diagnosticadas com câncer de mama, assim como 56 mulheres sem problemas de saúde. Em vários momentos ao longo do ano seguinte, as mulheres completaram exames neuropsicológicos, bem como avaliações para o transtorno de estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês). Elas também forneceram suas próprias avaliações sobre sua função cognitiva.

Cerca de sete meses após o início do estudo (e cerca de dois meses após a conclusão da quimioterapia para as mulheres que a receberam), não houve diferenças no desempenho cognitivo ou mudanças cognitivas entre as mulheres que receberam quimioterapia, mulheres cujo câncer de mama não foi tratado com quimioterapia e as mulheres saudáveis ​​sem câncer de mama. No final de um ano, no entanto, houve um pequeno declínio cognitivo nas pacientes de câncer de mama na comparação com as mulheres saudáveis, mas o declínio não dependeu se elas haviam sido submetidas ou não ao tratamento de quimioterapia. Em vez disso, esta perda estava ligada aos sintomas do PTSD.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos definem o PTSD como ""uma intensa resposta física e emocional aos pensamentos e lembranças do evento que dura por muitas semanas ou meses após o evento traumático”. Os sintomas são variados e incluem - mas não estão limitados a - flashbacks, pesadelos, dificuldade para dormir, estar excessivamente alerta ou facilmente assustado, e ter problemas para se concentrar.

- Eu, pessoalmente, fiquei surpreso com a pouca mudança cognitiva que observamos - disse Hermelink. - Todas as diferenças entre os dois grupos de pacientes e o grupo de controle foram mínimas, mesmo que usássemos uma bateria de teste grande e nosso estudo foi comparativamente bem alimentado, com uma grande amostra.

Diante disso, ela acrescenta:

- Os médicos devem dizer aos seus pacientes que a deficiência cognitiva muito sutil não só é observada após a quimioterapia, mas também em pacientes tratadas sem quimioterapia, e mesmo em pacientes que ainda não iniciaram qualquer tratamento para o câncer da mama. O cérebro não é uma máquina que oferece sempre o mesmo nível de desempenho, desde que não esteja quebrado, mas sua função e, a longo prazo, também sua estrutura, são afetadas por nossas ações e experiências. O diagnóstico de uma doença com risco de vida como o câncer de mama vem como um choque para a maioria das pacientes, o que pode deixar vestígios no cérebro, mesmo que elas lidem muito bem com isso.

Por fim, Hermelink considera:

- A investigação sobre o prejuízo cognitivo associado ao câncer está cheia de armadilhas metodológicas que podem distorcer substancialmente os resultados. É quase impossível para as pessoas que não trabalham no campo avaliarem a qualidade metodológica de um estudo e, assim, descobrirem se os resultados são ou não válidos. Estudos com achados espetaculares são relativamente fáceis de publicar, mesmo que sejam pequenos e seus métodos questionáveis, e é claro que todos os pesquisadores precisam publicar. Os jornalistas e o público devem, portanto, ficarem particularmente cautelosos com pequenos estudos que apontam grandes e inequívocos efeitos.

Fonte: Extra
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/nevoa-mental-do-cancer-de-mama-e-resultado-de-estresse-postraumatico/10780/7/ acesso em 05/06/17 às 14:32h

Estilo de vida e câncer

Câncer é a segunda causa de morte no Brasil.

Estudos clássicos mostraram que alguns fatores ligados ao estilo de vida aumentariam o risco de desenvolver a doença. Os principais seriam fumo, abuso de álcool, obesidade e vida sedentária.

Um trabalho publicado na revista Science em 2015, no entanto, encontrou correlações significativas entre o número de divisões sucessivas das células-tronco (pluripotentes, que dão origem às demais) de determinado tecido e a probabilidade de câncer nesse tecido.

Os autores concluíram que apenas um terço das variações de risco de câncer entre os tecidos do corpo humano seria atribuível a fatores ambientais ou predisposições hereditárias. Dois terços dos casos teriam origem nas mutações ao acaso, durante as divisões das células-tronco, hipótese que ficou conhecida como "má sorte”.

Essa hipótese foi amplamente noticiada na imprensa mundial, criando confusão entre o público. Embora os epidemiologistas argumentassem que fatores externos podem promover defeitos no DNA compatíveis com a transformação de uma célula normal em maligna, não foram apresentados estudos novos que contradissessem a falta de sorte.

Finalmente, acaba de ser publicado na revista JAMA um levantamento para esclarecer essa questão. M. Song e E. Giovanucci, da Universidade Harvard, realizaram um inquérito epidemiológico que envolveu números robustos: 89.571 mulheres e 46.339 homens.

As mulheres selecionadas fazem parte do Nurses’ Health Study, coorte formada por mais de 120 mil enfermeiras acompanhadas desde os anos 1970. Os homens vieram do Health Professional Follow-up Study, coorte com mais de 50 mil profissionais da área de saúde, seguidos desde os anos 1980.

A cada dois anos, mulheres e homens responderam questionários sobre o estilo de vida, dieta e os problemas de saúde ocorridos no período.

Os participantes foram divididos em dois grupos: "baixo risco” e "alto risco”.

Para pertencer ao primeiro grupo houve exigência de quatro condições: 1) nunca haver fumado ou ter fumado até 10 cigarros/dia, no máximo por 10 anos (ou 20 por dia, no máximo 5 anos); 2) abstinência de álcool ou beber no máximo dois drinques/dia no caso dos homens, e um drinque no das mulheres; 3) índice de massa corpórea (IMC = peso/altura x altura) entre 18,5 e 27,5; 4) atividade aeróbica de pelo menos 150 minutos de exercícios leves por semana (caminhadas, por exemplo) ou pelo menos 75 minutos semanais de exercícios vigorosos (correr, por exemplo).

Bastou deixar de cumprir um desses requisitos para ser enquadrado no grupo de "alto risco”. Caíram no grupo de "baixo risco” cerca de 16 mil mulheres e 11 mil homens.

Os autores avaliaram a incidência e a mortalidade causada pelos carcinomas responsáveis por cerca de 90% das mortes por câncer. Foram excluídos os cânceres de pele, cérebro, leucemias, linfomas e os carcinomas de próstata de baixa agressividade.

Para poupá-lo da pletora de dados estatísticos, leitor, vou resumir as conclusões mais relevantes:

  1. Comparadas às mulheres de "alto risco”, nas de "baixo risco” a incidência de câncer foi 25% menor. Nos homens de "baixo risco”, a redução foi de 33%.
  2. A mortalidade pelos tipos de câncer mencionados foi menor nas mulheres e homens de "baixo risco”: 48% e 44% respectivamente.
  3. Comparados com a população geral dos Estados Unidos, mulheres e homens de "baixo risco” tiveram respectivamente 41% e 63% menos casos de câncer.

Embora erros na replicação do DNA possam contribuir para as variações da incidência de tumores malignos entre os diversos tecidos, eles não justificam as diferenças dos índices em tecidos cujas células-tronco apresentam números similares de divisões.

Não explicam, ainda, o aumento rápido dos casos de câncer em países de renda baixa ou intermediária, observado à medida que a população adota estilos de vida menos saudáveis.

Os dados obtidos pelos pesquisadores de Harvard dão força ao argumento de que grande parte dos tumores malignos são evitáveis e podem ser prevenidos pela adoção de medidas altamente eficazes, como não fumar, não engordar excessivamente, ter uma alimentação rica em vegetais e andar míseros 30 minutos, pelo menos cinco vezes por semana.

Fonte: Drauzio Varella
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estilo-de-vida-e-cancer/10776/7/ acesso em 05/06/17 às 14:30h

OPAS/OMS incentiva público-alvo a se vacinar contra a gripe no Brasil

Devido à baixa adesão do público-alvo, principalmente entre crianças, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) incentiva os brasileiros que fazem parte do grupo prioritário a se vacinarem conta a gripe (influenza), bem como vacinarem seus filhos com idade entre seis meses e cinco anos.
Podem tomar a vacina até 9 de junho crianças de seis meses a menores de cinco anos, pessoas com 60 anos ou mais, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), povos indígenas, trabalhadores da área da saúde, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional, além de pessoas com doenças crônicas não-transmissíveis. Neste ano, o Ministério da Saúde do Brasil também incluiu professores ao grupo prioritário.
A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir tanto a doença quanto suas complicações. Estima-se que a gripe, uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório, acometa de 5% a 10% dos adultos e de 20% a 30% das crianças, causando 3 a 5 milhões de casos graves e 250 mil a 500 mil mortes todos os anos. A doença é de elevada transmissibilidade e distribuição global, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais e potencialmente causar pandemias.
A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies recém‐contaminadas por secreções respiratórias pode levar o agente infeccioso direto à boca, aos olhos e ao nariz.
Os vírus da influenza mudam constantemente. Por isso, a Rede Global de Vigilância da Influenza, uma aliança de Centros Nacionais de Influenza de todo o mundo, monitora os vírus influenza que circulam em humanos.
Produção de vacinas
A produção da vacina contra influenza começa a partir do mês de setembro, quando a OMS dá autorização para que os laboratórios o fabriquem. Isso acontece porque todos os anos é necessário avaliar quais as cepas (tipo) do vírus que mais circularam no hemisfério sul, no ano anterior. Após essa autorização, os laboratórios levam em torno de seis meses para produzir a vacina que será disponibilizada à população.
Fonte: Opas/OMS
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/entenda-o-sus/52655-opas-oms-incentiva-publico-alvo-a-se-vacinar-contra-a-gripe-no-brasil acesso em 05/06/17 às 14:22h

quinta-feira, 1 de junho de 2017

É possível parar de fumar?

No passado, era comum ver propagandas de televisão incentivando o consumo do cigarro. A prática era culturalmente aceita e até vista com bons olhos. No entanto, hoje já são amplamente conhecidos os malefícios provocados pela dependência em todas as esferas da vida. Por que, então, ainda há jovens começando a fumar nos dias de hoje?
O Blog da Saúde conversou com a psicóloga Vera Borges, da Divisão de Controle de Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Na entrevista, ela explica o que ainda motiva os jovens a experimentar o cigarro, como ocorre a dependência no organismo e as causas para o início do tratamento ser acompanhado por sintomas desconfortáveis, como nervosismo, ansiedade e ganho de peso.
O mais importante é lembrar que todos esses sintomas são transitórios e que os benefícios adquiridos por quem abandona o tabaco são bem mais relevantes. Por isso, Vera lança um desafio: “Todo mundo diz que parar de fumar é muito difícil, mas nós temos recursos para ajudar. A proposta que eu faço é para que as pessoas se deem essa chance, experimentem um ou dois dias sem fumar e vejam os ganhos imediatos que ela tem. Se ela estender isso para a vida dela de uma maneira mais ampla, vai ter a noção dos benefícios que terá”, afirma.
“Faço a sugestão de que as pessoas experimentem essa liberdade de viver sem fumar”, acrescenta a psicóloga. Confira a entrevista:
Blog da Saúde: A nicotina é a única substância do cigarro que faz mal?
Vera Borges: O cigarro tem na composição cerca de 4.700 substâncias que trazem prejuízos à saúde. A nicotina é a substância de maior destaque porque é ela que provoca uma dependência química como a de outras drogas, e acaba expondo a pessoa às outras substâncias, como monóxido de carbono e alcatrão. O alcatrão, por exemplo, que se forma no momento da combustão, tem em sua composição substâncias responsáveis por provocar vários tipos de câncer. Já o monóxido de carbono dificulta a chegada de oxigênio para os tecidos e órgãos do corpo, comprometendo a atividade normal e podendo causar doença coronariana, como infarto do miocárdio, dentre outras. Enfim, há um desdobramento de várias doenças a partir das substâncias contidas na composição do cigarro.
Por que a nicotina vicia?
No sistema nervoso, temos uma área descrita como “sistema de recompensa” porque tem relação direta com nossa atenção, motivação, recompensa e prazer. A nicotina, por ser uma substância psicoativa, irá atuar nessa região estimulando a liberação de neurotransmissores, como a dopamina, responsável pela sensação de bem estar, relaxamento, o que faz com que, inicialmente, quem começa a fumar recorra ao tabaco para reproduzir essa sensação. Após a tragada do cigarro, a nicotina atinge o cérebro, e tem início a estimulação de substâncias que, com o reforço aumentado e constante, levará a um quadro de dependência química.
Quais são as principais doenças causadas pelo cigarro?
Os agentes nocivos encontrados no fumo comprometem a defesa do organismo e acabam por produzir aproximadamente 55 doenças relacionadas ao tabagismo, que podem diminuir, em média, até 10 anos da vida de um fumante. O tabagismo é responsável por 30% de todas as mortes por câncer, por 85% dos cânceres de pulmão, e por doenças respiratórias, infartos e acidente vascular cerebral. Importante também destacar que o tabagismo aumenta o risco de doenças não só nos fumantes ativos, como também nos fumantes passivos.
Hoje já são conhecidos os riscos do cigarro. Por que ainda há jovens começando a fumar?
O contato com o tabaco ocorre, em mais de 90% dos casos, na adolescência. Essa é uma fase de sentimentos de descoberta de identidade, com forte desejo de desafiar, podendo adotar comportamentos supostamente adultos. Aliado a isso, há o sentimento de “controle das situações” que pode levá-lo a experimentar o fumo, mesmo sabendo que é perigoso, mas acreditando, equivocadamente, que pode experimentar sem ficar dependente. Ninguém usa o cigarro na primeira vez achando que vai ficar dependente
Apesar das informações que atualmente existem sobre tabagismo, várias são as motivações que ainda podem levar o jovem a fumar. A propaganda, exposição de venda de cigarros em locais que o jovem frequenta, como padarias e supermercados, é um grande risco para a saúde do jovem, pois pode estimulá-lo a experimentar o fumo. É necessário, portanto, repensar essas exposições nos pontos de venda. Outra possibilidade do jovem começar a fumar é reproduzindo comportamentos de ídolos, ou de pessoas fumantes e próximas a ele, como amigos e familiares. É dever de toda sociedade alertar o jovem de que a dependência do cigarro é uma das mais severas, que obriga seus usuários a consumi-lo em quantidades cada vez maiores, várias vezes ao dia, num ciclo em que, quanto mais ele fuma, mais tem vontade de fumar e mais dependente fica.
Mesmo quem fuma muito consegue parar de fumar?
Com certeza. Hoje o Brasil tem um programa dentro do SUS para estimular o tratamento, com as ferramentas adequadas para ajudar nessa mudança de comportamento. Temos no SUS profissionais capacitados para avaliar o tabagista e realizar o tratamento. Se houver indicação, serão inseridos medicamentos para ajudar a reduzir o desconforto físico e psicológico de quem para de fumar sozinho, como irritação, nervosismo e ansiedade. No tratamento, a pessoa aprende a lidar com isso e, assim, tem mais chances de deixar de fumar definitivamente.
Por que o início do tratamento é o momento mais difícil?
A dificuldade inicial está muito relacionada ao fato de que há uma dependência química que foi reforçada por anos, com uso diário do cigarro em toda a rotina. A interrupção desse processo poderá trazer um desconforto inicial. O mais importante é a pessoa entender que as dificuldades são transitórias. De modo geral, nas três primeiras semanas os sintomas desconfortáveis estarão mais presentes, já que, até então, o cigarro fazia parte de todos os momentos da vida. São necessários alguns dias para a desintoxicação, para o corpo, o cérebro e a memória entenderem uma nova informação. No início vai ficar um buraco, que, com o tempo, deve ser preenchido com alguma nova rotina, como momentos de lazer, uma atividade física ou uma alimentação mais saudável.
Por que muitas pessoas engordam quando param de fumar?
A alteração no peso é real, e em grande parte está relacionada ao fato de a pessoa ficar mais ansiosa quando deixa de fumar. Esse é um aspecto esperado nos primeiros meses do processo de adaptação. Depois desse primeiro período, a perda de peso vai acontecer na medida em que a ansiedade também for diminuindo. O fumante que quer parar de fumar vive uma angústia muito grande. Quando ele percebe que tem orientação e que ele consegue alcançar sua meta e deixar de fumar, isso também vai dar um prazer muito grande para ele. Durante o tratamento, o tabagista é orientado a evitar alimentos mais calóricos, mas a recomendação é de que não se faça dieta nesse primeiro momento, para não ser privado de duas coisas, o que poderia estressá-lo de maneira importante e comprometer o seu objetivo de parar de fumar.
Qual é a regulação hoje sobre o cigarro eletrônico?
No Brasil é proibida a venda e a comercialização. Há uma preocupação quanto ao fato de o cigarro eletrônico ser entendido como um recurso para tratamento, pois a literatura até o momento não confirma esse entendimento e mostra que ele não é isento de riscos à saúde. Além disso, o cigarro eletrônico pode se apresentar como um incentivo à iniciação de jovens para fumar ou ainda comprometer a abstinência de quem já deixou de fumar cigarros.
Para um melhor entendimento sobre o tema, o INCA participou de um estudo chamado "Cigarros eletrônicos: o que sabemos?", publicado em dezembro de 2016, que concluiu que, por precaução e com base na falta de evidências científicas sobre a segurança e eficácia, o uso de cigarros eletrônicos não pode ser recomendado para tratamento.
Ana Cláudia Felizola, para o Blog da Saúde
 http://www.blog.saude.gov.br/index.php/materias-especiais/52649-e-possivel-parar-de-fumar acesso em 01/06/17 ás 19:04hs

UNA-SUS/UFMA lança novo curso sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis

Profissionais de saúde interessados em ampliar os seus conhecimentos sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) já podem se inscrever no mais novo curso Ações de vigilância e prevenção de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). A oferta é da Universidade Federal do Maranhão, integrante da Rede UNA-SUS (UNA-SUS/UFMA), em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS). As inscrições podem ser realizadas até 30 de setembro, pelo site.
As DCNT são multifatoriais, se desenvolvem no decorrer da vida e possuem longa duração. É o caso das doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas. Tais enfermidades são resultado de determinantes sociais e condicionantes, além de fatores de risco individuais como tabagismo, consumo nocivo de álcool, inatividade física e alimentação não saudável.
O curso faz parte da formação em Vigilância em Saúde, projeto de qualificação que promove saberes referentes ao modelo de Vigilância em Saúde centrado na pessoa, família e comunidade, considerando particularidades culturais, de gênero e níveis de diversidade da população.
Segundo a enfermeira sanitarista e coordenadora do Núcleo Pedagógico da UNA-SUS/UFMA, Regimarina Soares Reis, o tema não poderia deixar de ser abordado, considerando sua relevância para a situação sanitária e epidemiológica do país. Em 2008, essas doenças já eram responsáveis por 63 % das mortes no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Seguindo essa tendência, no Brasil, em 2013, as DCNT foram a causa de aproximadamente 72,6 % das mortes (SIM 2015).
Dado o contexto, as DCNT se apresentam hoje como um novo desafio para os gestores de saúde, especialmente pelo forte impacto na morbimortalidade e na qualidade de vida dos indivíduos afetados, bem como os efeitos econômicos adversos gerados para as famílias, comunidades e sociedade em geral.
“O curso possibilita aos profissionais a apreensão de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades relacionados aos planos de ações estratégicas para o enfrentamento dessas doenças no Brasil. Para isso, aborda desde temas relacionados à vigilância epidemiológica no âmbito das DCNT até o reconhecimento dos aspectos epidemiológicos, comportamentos e tendências de morbimortalidade e seus fatores de risco”, explica a enfermeira sanitarista.
Com carga horária de 30h, divididas em 3 unidades de 10h, o objetivo é fazer com que o aluno seja capaz de reconhecer as ações de vigilância em saúde no contexto da Política Nacional de Promoção da Saúde. Todo o material do curso foi construído a partir de situações de aprendizagem que oportunizam a reflexão crítica acerca da situação das DCNT no Brasil e na localidade onde os alunos se inserem.
“A vigilância das DCNT permite conhecer a distribuição, magnitude e tendência dessas doenças e seus fatores de risco na população. A partir da reflexão sobre os condicionantes sociais, econômicos e ambientais, por exemplo, será possível subsidiar o planejamento, a execução e a avaliação das ações locais” destaca, Reis.
A ideia, segundo ela, é incentivar o planejamento de intervenções alinhadas com modos de viver favoráveis à qualidade de vida da população, como elementos fundamentais para o êxito das ações de vigilância das DCNT. “Por se tratar de um curso a distância, seu amplo alcance, em todas as regiões do país, pode possibilitar que milhares de trabalhadores fortaleçam e/ou ressignifiquem suas práticas em áreas estratégicas para a saúde pública, contribuindo para a concretização atenção integral à saúde prevista no SUS”, finaliza.
Para saber mais sobre esse e outros cursos da rede UNA-SUS, acesse o link www.unasus.gov.br/cursos.
Fonte: UNA-SUS
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/cursos-e-eventos/52651-una-sus-ufma-lanca-novo-curso-sobre-doencas-cronicas-nao-transmissiveis acesso em 01/06/17 ás 19:00h