domingo, 14 de julho de 2019
Obesidade ultrapassa fumo como causadora de 4 tipos de câncer
Um estudo do Cancer Research UK revelou que a obesidade ultrapassa o tabagismo como principal responsável por cânceres de intestino, rim, fígado e ovário. Pesquisadores ingleses compararam dados de fumantes do Reino Unido, obesos ou não, e concluíram que anualmente a obesidade provoca 3.940 casos a mais de tumores nesses órgãos do que o ato exclusivo de fumar.
O endocrinologista Flávio Cadegiani explica que a relação entre o tabagismo e a obesidade para a incidência de tumores é complementar. “De forma simplificada, podemos dizer que, muitas vezes, o câncer que está sendo causado pelo tabagismo não consegue ser impedido por conta da obesidade, pois a condição aumenta a inflamação do corpo e inibe a proteção que contém as células cancerosas”, explica.
De acordo com as informações do Cancer Research, o tabagismo ainda representa a maior causa evitável de câncer no Reino Unido, mas os números relacionados a obesos só crescem. Em dados gerais, os indicadores mostram que fumar causa 54.300 casos de câncer por ano, em comparação aos 22.800 provocados pelo excesso de peso. Entretanto, os autores responsáveis acreditam que, com a queda nas taxas de tabagismo, fenômeno que vem ocorrendo no mundo todo, e as taxas alarmantes de obesidade, as causas em breve se inverterão.
Para Cadegiani, a obesidade ainda é vista com preconceito e, por isso, muitos pacientes não recebem o tratamento adequado. “A obesidade é um fator de risco para mais de 200 doenças, leva à redução da expectativa de vida em até 30 anos, a depender do grau de obesidade, e pode levar a condições incapacitantes. Além de doenças mentais, como a demência, e psiquiátricas”, alerta.
Atualmente, a obesidade é considerada um dos maiores problemas públicos de saúde, afetando mais de 670 milhões de pessoas mundialmente, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, a doença já atinge 50% dos brasileiros e 15% das crianças, conforme apontam dados da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). “Nacionalmente, o grande problema é que deixamos de comer a comida tipicamente brasileira, como feijão, arroz e carne, e também o pão fresquinho da padaria, para comermos fast-food e comidas industrializadas e ultraprocessadas”, finaliza o médico. (Com informações da BBC)
Fonte: Metrópoles in http://www.oncoguia.org.br/conteudo/obesidade-ultrapassa-fumo-como-causadora-de-4-tipos-de-cancer/12880/7/ acesso em 14.07.19 às 10:41hs
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Estudo indica relação entre consumo de bebidas açucaradas e câncer
O consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos, está associado a um aumento do risco de câncer. A conclusão é de um estudo publicado nesta quarta-feira, 10, no British Medical Journal (BMJ). Embora seja bem conhecida a relação entre bebidas açucaradas e doenças como hipertensão e diabete, a ligação do consumo desse tipo de alimento com casos de câncer ainda é pouco medida.
A pesquisa concluiu que um aumento de 100 ml (meio copo) por dia no consumo de bebidas açucaradas (incluindo nessa lista os sucos de fruta 100% naturais) foi associado a uma alta de 18% no risco de câncer em geral e a um aumento de 22% no risco de câncer de mama. Mesmo separadamente, o grupo das bebidas açucaradas (como os refrigerantes) e o grupo dos sucos de fruta também têm relação com a alta de casos de câncer.
Para realizar a pesquisa, uma equipe de cientistas acompanhou, durante no máximo 9 anos, 101 mil adultos franceses saudáveis (21% homens e 79% mulheres) com idade média de 42 anos no momento da inclusão no estudo. Os participantes tinham de preencher relatórios com sua rotina alimentar - as tabelas incluíam bebidas açucaradas e bebidas adoçadas artificialmente.
O surgimento de casos de câncer ao longo dos anos também era relatado pelos participantes e validado por profissionais. Durante o acompanhamento, 2.193 casos de câncer foram diagnosticados. Ao fim do acompanhamento, os pesquisadores fizeram a correlação entre o consumo diário de bebidas açucaradas e a doença. Fatores de risco para o aparecimento de câncer, como idade, histórico familiar, tabagismo e nível de atividade física, foram levados em consideração para a análise.
A pesquisa não identificou relação entre o aparecimento de câncer e o consumo de bebidas adoçadas artificialmente (como os refrigerantes diet), mas os cientistas recomendam cautela ao interpretar essas estatísticas. Segundo os autores, houve baixo nível de consumo desse tipo de produto pelos participantes, o que pode comprometer a análise.
Pela metodologia da pesquisa, também não foi possível apontar relação de causa e efeito, ou seja, se o açúcar, em si, pode levar à aparição da doença e por quê. Mas os pesquisadores sugerem que o consumo elevado de bebidas açucaradas pode estar ligado à maior gordura armazenada em torno de órgãos vitais, como fígado e pâncreas, independentemente do peso corporal, e a marcadores inflamatórios - ambos os fatores ligados ao aumento do risco de câncer.
Segundo os próprios autores, mais pesquisas são necessárias para confirmar o elo entre câncer e bebidas açucaradas. "Esses dados demonstram a relevância de recomendações nutricionais para limitar o consumo de bebidas açucaradas, incluindo os sucos de frutas 100%, e medidas como taxação e restrições a propagandas", indicaram os autores.
Discussão
Segundo Mario Carra, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), está mais clara, até hoje, a relação entre a obesidade e o aparecimento de alguns tipos de tumores. "Preocupa mais a obesidade do que o consumo do açucarado em si", diz o endocrinologista.
Segundo Mario Carra, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), está mais clara, até hoje, a relação entre a obesidade e o aparecimento de alguns tipos de tumores. "Preocupa mais a obesidade do que o consumo do açucarado em si", diz o endocrinologista.
"As bebidas açucaradas, como são fáceis de ser ingeridas, acabam aumentando o peso das pessoas", explica. Segundo ele, porém, já há indícios de que o açúcar por si só pode ser "tóxico" para as células, aumentando os riscos de tumores.
Para Carra, a população precisa estar atenta ao que consome. "O suco de fruta é água e frutose. Perdem-se todas as boas qualidades de uma fruta. Ganha-se mais comendo uma laranja do que tomando um copo de suco de laranja", explica.
É necessário, porém, cuidado para não "demonizar" certos alimentos, segundo Carra. Também é preciso compreender que múltiplos fatores concorrem para um diagnóstico de câncer. "Não é o refrigerante que vai dar câncer. A pessoa tem de ser propensa e ter outros hábitos ruins, como não fazer exercício, ter vida desregrada, não ter hora para dormir e acordar, ter excesso de peso."
Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde divulgou um acordo com a indústria de alimentos e de bebidas para reduzir os teores de açúcar de biscoitos, bolos, produtos lácteos, achocolatados e misturas para bolos. A meta é de retirar 144 mil toneladas do ingrediente nesses produtos até 2022.
Dados do governo indicam que o brasileiro consome 50% a mais de açúcar do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em média, por dia, cada habitante ingere 80 gramas (ou 18 colheres de chá do produto). Um terço desse consumo é de açúcar presente nos alimentos industrializados.
Fonte: O Estado de S. Paulo in http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estudo-indica-relacao-entre-consumo-de-bebidas-acucaradas-e-cancer/12879/7/ acesso em 11.07.19 às 21:46hs
Aprovado projeto que institui o Julho Verde
O que houve?
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (2), o parecer favorável, com emenda, do senador Jorginho Mello (PL-SC) ao Projeto de Lei n° 400/19, de autoria do ex-deputado Dr. Sinval Malheiros (PODE-SP), que institui o mês de julho como Mês Nacional do Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.
O relator defendeu que a prevenção é a forma mais eficaz para combater a doença, além de ser mais barata para os cofres públicos. “Disponibilizar informações que esclareçam os sintomas, as formas de prevenção e a importância da busca prematura por tratamento, poderá trazer, além da efetiva redução da mortalidade e da incidência de sequelas graves decorrentes dos cânceres de cabeça e pescoço, uma maior eficiência das políticas públicas de saúde e, consequentemente, mais economia aos cofres públicos”, explicou.
A matéria foi aprovada com emenda que faz reparos quanto a constitucionalidade do projeto. “O art. 2º do projeto define atribuições aos órgãos do Poder Público, para que elaborem campanhas de disseminação de informações. Entendemos que o dispositivo é inconstitucional, por invadir competência privativa do Presidente da República (Constituição Federal, art. 84, VI, “a”). Portanto, oferecemos emenda para suprimi-lo”, finalizou.
E agora?
A proposta seguirá para análise do Plenário e, após a aprovação, seguirá para sanção presidencial.
O relator defendeu que a prevenção é a forma mais eficaz para combater a doença, além de ser mais barata para os cofres públicos. “Disponibilizar informações que esclareçam os sintomas, as formas de prevenção e a importância da busca prematura por tratamento, poderá trazer, além da efetiva redução da mortalidade e da incidência de sequelas graves decorrentes dos cânceres de cabeça e pescoço, uma maior eficiência das políticas públicas de saúde e, consequentemente, mais economia aos cofres públicos”, explicou.
A matéria foi aprovada com emenda que faz reparos quanto a constitucionalidade do projeto. “O art. 2º do projeto define atribuições aos órgãos do Poder Público, para que elaborem campanhas de disseminação de informações. Entendemos que o dispositivo é inconstitucional, por invadir competência privativa do Presidente da República (Constituição Federal, art. 84, VI, “a”). Portanto, oferecemos emenda para suprimi-lo”, finalizou.
E agora?
A proposta seguirá para análise do Plenário e, após a aprovação, seguirá para sanção presidencial.
Fonte: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/aprovado-projeto-que-institui-o-julho-verde/12860/990/ acesso em 14.07.19 às 21:42hs
quinta-feira, 4 de julho de 2019
"A importância do atendimento Psicológico ao paciente e familiares
Cristiane Lang é Psicóloga, pós-graduada em Oncologia pelo Instituto Albert Einstein, SP.
O câncer é uma das doenças que mais causa mortes no mundo. Engloba um conjunto de doenças – mais de 100 - que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, formando os tumores, que podem, ou não, espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.
No Brasil, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres, e, segundo o Inca – Instituto Nacional de Câncer, são estimados mais de 57.000 casos novos em 2016, representando um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres. Já nos homens, o maior índice é o de câncer de próstata, estimando-se 61.200 novos casos para o presente ano, com um risco de 61,82 casos a cada 100 mil homens. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama e o câncer de próstata são os mais incidentes em todas as regiões do país.
O câncer tornou-se uma questão de saúde pública. É comum as pessoas o associarem diretamente à morte, uma vez que a maioria dos portadores acaba passando por uma rotina pesada de tratamentos médicos. Atualmente, se a doença é diagnosticada no início, e também dependendo do local onde se encontra, as chances de remissão são altas, e nem sempre o paciente tem que se submeter a cirurgias, ou a radio e quimioterapias.
Lidar com o diagnóstico de câncer é uma das etapas mais difíceis até o paciente aceitar a condição. E a presença da família é fundamental para auxiliar aqueles que vivenciam esta trajetória. Diante deste contexto atuam os psicólogos com formação em Oncologia. Embora a especialização nessa área seja pouco conhecida no Brasil e há carência de profissionais com essa formação, é essencial para oferecer apoio e cuidados específicos ao paciente com câncer e seus familiares.
Isso porque, quando um membro da família é acometido da doença, este fato não atinge todos da mesma maneira, e o atendimento psicológico trata cada pessoa desta família do modo com que ela reage à situação. O cônjuge, por exemplo, pode expressar sua dor através da negação, os filhos, rebeldia, ou irritabilidade. Já o paciente muitas vezes esconde o que sente para não demandar mais preocupação a seus entes queridos. Mesmo com todos os membros da família sendo afetados pela doença de um deles, sofrendo com a tensão e fadiga no âmbito familiar, é necessário que sejam feitas adaptações no estilo de vida deles para que seja possível conviver com a nova realidade da doença.
É papel do psicólogo oncológico é atender todas as necessidades do paciente, desde as nutricionais; se necessita ou não de fisioterapia; encaminhar para o essencial acompanhamento odontológico durante o tratamento, além de fazer também a mediação destes profissionais com a equipe de enfermagem, médicos, sempre tentando minimizar o sofrimento e as angústias que o tratamento pode trazer.
Ele também deve estar presente em todas as fases da doença, desde o diagnóstico inicial, em caso de aparecimento de más notícias, mudanças no tratamento, duração do tratamento, e, em caso de óbito, no acompanhamento do luto desta família, onde poderá oferecer técnicas de enfrentamento, além do acolhimento necessário.
Com números tão elevados, e sendo uma doença que atinge não somente o paciente, mas sim todo seu universo, sua família, amigos, causando uma mudança radical em suas vidas, o atendimento psicológico especializado pode contribuir decisivamente para obtenção dos melhores resultados possíveis, tornando-se um aliado no enfrentamento desta doença tão cruel, mas que com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, pode ser encarado de uma maneira mais leve, e desta forma fortalecendo psicologicamente todos os envolvidos nesta luta.
Fonte: https://www.correiodoestado.com.br/opiniao/a-importancia-do-atendimento-psicologico-ao-paciente-e-familiares-no/283816/ acesso em 04.07.19 às 22:12hs
ATENDIMENTO PSICOLÓGICO GRATUITO
O Grupo Se Toque está oferecendo atendimento psicológico gratuito para pacientes e cuidadores em sua sede à Rua Monsenhor Moisés, 181 - Pontalzinho.
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