domingo, 5 de junho de 2016

A ÁGUA É TÃO IMPORTANTE PARA O HOMEM QUANTO OS ALIMENTOS

Os recursos de água doce no mundo – situação, normatização e perspectiva

Regina Cecere Vianna, Claudio Cecere Vianna Junior, Rafael Marques Vianna
Ao pensar-se na nomenclatura do Planeta Terra, obviamente este não deveria se chamar Terra. O nome mais indicado seria Planeta Água, uma vez que 71% do mesmo é composto por água. Ao pensar em termos de conservação deste mesmo Planeta, constatar-se-á que os humanos ainda são extremamente incipientes para tal tarefa.
O homem atingiu um nível tecnológico que se contrapõe e não possui o mesmo peso de sua evolução moral. Mas não se pode dizer que toda a humanidade assim se comporte.
A água doce é tão importante para o homem quanto os alimentos. Sabe-se que um homem pode sobreviver algum tempo sem eles, mas sem água, não. Na realidade um indivíduo precisa, em média, de dois litros de água potável para sua sobrevivência diária.
Desde há pelo menos dez milênios o homem vem evoluindo, assim, modificando o seu meio ambiente. É de aceitar e de se prever que ele evolua ainda mais
Ocorre que a devastação feita em nome da alta tecnologia e da busca pelo poder econômico, cada vez mais desenfreada, vem atingindo de sobremaneira este recurso natural ao qual todo o ser humano teria direito.  Um dos impactos mais terríveis e de horrendas conseqüências está na enorme ferida provocada pelo descaso que houve e que continua havendo em relação à água doce de nosso Planeta Terra.
Constatou-se que em níveis mundiais a água potável torna-se cada vez mais rara e escassa e que construi-se uma teoria econômica fundamentada na lei do mais forte e de quem mais tem e quem mais pode. A escassez muitas vezes é parte desta política econômica desenfreada.
Ocorre que água é sinônimo de vida e sem ela não há sobrevivência e existem países que dela praticamente já não podem mais se beneficiar. No meio ambiente há um mecanismo de inter-relacionamento constante, e uma vez quebrado este mecanismo, sofrem tanto o Planeta quanto os que nele habitam.
A poluição é uma constante em nossos dias e em nossos mananciais de água doce. Em nome do progresso o homem age sem qualquer consciência ou escrúpulos. A pobreza e a riqueza poluem, sendo a segunda de forma mais implacável e terrível.
Os efeitos são marcantes. A humanidade apesar de já estar no século XXI, com uma tecnologia extremamente apurada, possui em torno de um terço dos habitantes do Planeta sem acesso à água potável.
Leis, Regulamentos, Convenções Internacionais fazem parte deste universo de tentativas de se minimizar os danos causados pelos homens ao meio ambiente. O reconhecimento jurídico do direito que ao homem pertence, deverá fazer com que ele possa realmente desfrutar do meio em que vive e da quota que lhe cabe de água como ser integrante de toda esta biota.
Sabe-se que, de todos os males ambientais, a contaminação das águas é a que apresenta as piores conseqüências, e que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 10 milhões de mortes por ano são diretamente atribuídas a doenças intestinais transmitidas pela água. Um terço da humanidade vive em contínua debilidade resultante das impurezas da água e que outro terço está ameaçado pelo lançamento de substâncias químicas nas águas cujos efeitos a longo prazo são desconhecidos.
Portanto, é necessário um rigoroso estudo de tal problema para que exista um gerenciamento seguro e eficaz, o qual proponha métodos de conservação e proteção dos recursos hídricos no intuito de que sejam realmente colocados em prática.
A ecologia ambiental é um estado de equilíbrio dos ecossistemas. Este equilíbrio, ao que tudo indica, é uma expressão da “Consciência do Universo”. Como a intervenção do homem no Planeta Terra nem sempre foi exatamente construtiva e depende dele para que exista este equilíbrio ecológico, é indispensável o despertar da consciência ecológica individual em cada cidadão do planeta, para que possamos dele melhor desfrutar.

Texto retirado da internet
http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?artigo_id=215&n_link=revista_artigos_leitura

sábado, 4 de junho de 2016

Câncer exige política de Estado

O conceito de medicina personalizada é um dos paradigmas da oncologia. Um dos melhores exemplos é o Câncer de Mama HER2 positivo. Além de identificar um alvo molecular específico, foram desenvolvidos tratamentos dirigidos a esse alvo, com melhor controle da doença e cura de mais pacientes. Desde 1998, o medicamento anti-HER2 Trastuzumabe é aprovado pelo FDA (EUA) para o câncer de mama metastático e desde o ano 2000 vem sendo usado no Brasil. Em 2005, foi adotado na doença mais inicial, para reduzir o risco de recidiva.

As autoridades brasileiras que controlam a gestão da saúde não permitiram o acesso de Trastuzumabe às pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) até janeiro de 2013, questionando a veracidade do benefício, mesmo com as inúmeras tentativas da SBOC e de entidades do terceiro setor, como o Instituto Oncoguia e a Femama, de sensibilizar gestores públicos a rever essa posição. Centenas de ações ainda sobrecarregam o Judiciário para pleitear o acesso. Quando finalmente o SUS incorporou, proibiram o tratamento para as pacientes com doença metastática, o que ainda tira em 2016 o acesso ao medicamento.

A OMS atualizou em 2015 a cesta básica de medicamentos essenciais, incluindo o Trastuzumabe para todas as suas indicações.No Brasil, a Comissão do SUS (Conitec) segue negando o benefício na doença mais avançada. Prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida não parece uma prioridade para o governo. No SUS, a sobrevida mediana esperada para os casos avançados é de cerca de 22 meses, no cenário privado, 56 meses.
Fizemos uma estimativa (eu e o professor dr. C. Barrios, da PUC-RS, publicada em 2015 no J. Clin Oncol — Brasil) conservadora do impacto da ausência desse medicamento. No cálculo, consideramos o número de casos novos, a proporção de pacientes atendidas pelo SUS, o percentual de pacientes que poderiam receber o medicamento em caráter (neo)adjuvante (i.e. antes ou após a cirurgia) e o fato de que 20% são HER2 positivas. Utilizando os dados internacionais, chegamos à estimativa de que, para cada ano no qual a medicação não foi oferecida no SUS, 696 brasileiras morreram ou ainda devem morrer em virtude da falta do tratamento. Estima-se que 4.872 mulheres morreram no Brasil pelo fato dessa intervenção ter-lhes sido negada durante sete anos.

Embora esses cálculos sejam limitados, eles nos aproximam de uma triste realidade: um número expressivo de brasileiras com câncer de mama morreu de 2005 a 2012 por não ter acesso a tratamento curativo. Reiteremos que na doença metastática, o SUS segue negando o acesso ao melhor tratamento, e o que sabemos é que a diferença está aumentando, pois nos últimos anos foram incorporados: Lapatinibe, Pertuzumabe, T-DM1. As pacientes do SUS vivem menos e com pior qualidade de vida. Uma nova estimativa corrobora esta tese e será publicada em breve no Journal of Global Oncology. Com o tratamento padrão SUS, de cada 2 mil mulheres tratadas apenas 808 chegam vivas ao fim de 2 anos de acompanhamento e na Saúde Suplementar com o tratamento correto, cerca de 1.500 conseguem completar esses 2 anos...uma triste realidade destes dois brasis.

Quem seria o responsável por essas mortes e por estas vidas encurtadas? Na minha opinião, provavelmente todos temos uma parcela de culpa. Alguns por questionar o benefício claro e incontestável do tratamento, outros por não fazer o diagnóstico correto da situação, e outros ainda por aceitar passivamente este quadro. Saúde é um direito de todos e um dever do Estado. É um desafio ainda mais agora com a crise econômica. Devemos (poder público, gestores da área da saúde, farmacêuticas, pacientes e sociedades médicas) discutir como incorporar tecnologias de alto custo, mas são mais de 13 anos de atraso...o preço pago em vidas é (e foi) alto demais.
Em tempos de fosfo-histeria, um dos maiores sucessos da oncologia vem sendo ignorado pelos nossos gestores há anos, e neste exato momento muitas brasileiras vem lutando para sobreviver por mais tempo. No SUS, perdem-se meses na espera para o diagnóstico, a cirurgia, a quimio e a radioterapia, e no caso específico do câncer de mama HER2 positivo, sofrem a ausência de medicamentos. Sobreviver ou viver mais tempo, é quase um milagre. O Brasil, referência mundial em tratamento de Aids, hepatite e vacinação, não poderia ser referência em câncer? Câncer tem que ter uma política de Estado e não de governo.

Gilberto Amorim, integrante do Comitê de Ética da atual Diretoria, biênio 2015/2017 e coordenador Nacional de Oncologia Mamária no D’Or.

Fonte: Correio Braziliense in http://www.oncoguia.org.br/conteudo/cancer-exige-politica-de-estado-/9441/7/

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Estudo liga câncer de próstata ao tamanho da cintura

Um levantamento realizado com 140 mil homens de oito países europeus mostrou que 10 cm a mais na circunferência abdominal aumentariam as chances de desenvolver o câncer em 13%.

O maior grupo de risco, contudo, era o de homens com cintura maior do que 94 cm, indicou o estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

O câncer de próstata é o mais comum em homens.

O estudo, que foi apresentado na Cúpula de Obesidade Europeia em Gotemburgo, na Suécia, analisou a associação entre as medidas do corpo de homens na faixa dos 50 anos e o risco de câncer de próstata em 14 anos.

Durante o período, houve cerca de 7 mil casos de câncer de próstata, dos quais 934 foram fatais.

Os pequisadores descobriram que homens com um Índice de Massa Corporal (IMC) alto e uma cintura larga tinha maiores chances de desenvolver câncer de próstata de alto risco, uma forma mais agressiva da doença.

Por exemplo, homens com cintura de 94 cm tinha 13% maior risco de câncer de próstata agressivo do que homens com cintura de 84 cm.

Com postagens de banho de sangue e comoção, policiais viram celebridades nas redes sociaisCientistas também observaram um maior risco de morte por câncer de próstata com maior IMC e circunferência abdominal.

Aurora Pérez-Cornago, da Universidade de Oxford, disse que o estudo mostrou que a associação entre o tamanho do corpo e o câncer de próstata é complexa e varia conforme a agressividade da doença.
Segundo ela, os grandes vilões seriam os hormônios causadores de câncer presentes nas células de gordura, mas isso ainda não foi provado.

Levantamento mostrou que 10 cm a mais na circunferência abdominal aumentariam as chances de desenvolver tipo mais agressivo da doença em 13%.

Recomendação

A recomendação da especialista é de que os "homens devem manter um peso saudável e se possível perder medidas na cintura".

Mas ela acrescentou que o estudo não analisou especificamente o impacto da perda de peso no risco do câncer de próstata.

Um porta-voz da Prostate Cancer UK, maior ONG de saúde masculina, disse: "Manter-se ativo e com um peso saudável pode proteger contra várias doenças, incluindo o câncer".

"Essa pesquisa complementa uma série de outras evidências segundo as quais o peso e o tamanho da cintura podem influenciar no surgimento do câncer de próstata", acrescentou.

Thea Cunningham, da ONG Cancer Research UK, que se dedica a pesquisas sobre a doença, diz que mais estudos são necessários para comprovar a associação entre a circunferência abdominal e o risco de desenvolver câncer de próstata.
"Não está claro se o excesso de peso leva ao desenvolvimento de tipos mais agressivos de câncer de próstata, ou se existe uma menor probabilidade de o tumor ser diagnosticado em um estágio inicial em homens com sobrepeso,. Nesse caso, o câncer poderia ser mais agressivo ou estar mais avançado quando for diagnosticado".

"Manter um peso saudável pode ajudar homens a reduzir o risco de outros tipos de câncer incluindo câncer do intestino".

Fonte: G1 in http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estudo-liga-cancer-de-prostata-ao-tamanho-da-cintura/9447/7/

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Como gerenciar a perda de memória a partir de quimioterapia

" Chemo cérebro " ou perda de memória após a quimio se mudou recentemente para o primeiro plano de estudos de câncer . Médicos e cientistas estão agora a fazer um esforço para estudar e compreender este efeito colateral , muitas vezes perturbador e debilitante das poderosas drogas usadas para combater o câncer. Os médicos descobriram que a perda de memória a partir de quimioterapia é geralmente a curto prazo , mas pode afetar a capacidade de pensar rapidamente , 
o foco , e câncer de multi- task.Battling é uma guerra pessoal contra uma doença terrível e invasivo. Fornecendo um exemplo específico de um sobrevivente do câncer dá credibilidade a qualquer informação que está sendo fornecido para auxiliar os efeitos colaterais da quimioterapia . Quatro anos depois de terminar a sua última rodada de quimioterapia , minha mãe ainda sofre de perda de memória. Nós chamamos isso de "ser dippy . " Sua perda de memória não é excessivo , mas é uma parte regular de sua vida. Por exemplo , ela vai chamar com algo a dizer e fazer a mesma chamada 10 minutos depois com a mesma coisa em sua mente. Ela vai arrumar pratos e nunca me lembro onde colocá-los. Estes podem parecer pequenas coisas , mas pequenos aborrecimentos adicionar até um pacote de frustration.After conclusão de sua quimioterapia, ela estaria tentando dizer algo e absolutamente em branco. Ela arremessar uma mão de frustração depois de tentar obter as palavras . Nós rimos com ela e terminar suas frases . Sua perda de memória melhorou significativamente durante este período de tempo de quatro anos. Melhoria na cognição é muito comum, embora alguma experiência continuou agravamento de loss.The memória seguindo os passos espero venha a ajudar na gestão de perda de memória. Lembre-se que qualquer efeito colateral da quimioterapia devem ser discutidos com seu oncologista . Pergunte para o seu conselho também. Instruções 
Como gerenciar a perda de memória a partir de Quimioterapia :
1Discuta sua perda de memória com o seu oncologista primeiro. Seu oncologista tem visto cada efeito colateral de câncer e ele é sua melhor fonte de informações sobre como lidar com os efeitos colaterais . Não se surpreenda se ele recomenda uma tomografia ou ressonância magnética e trabalho neurológico completo até descartar outros problemas .
2
Considere outros culpados. É muito fácil culpar a quimioterapia para tudo. Chemo atrapalha sua vida tanto que muitas pessoas sofrem de fadiga , má alimentação, desidratação , ansiedade e mudanças hormonais. Todos estes podem causar esquecimento . Cuide bem de si mesmo. Olhe para todos os aspectos de sua vida e se certificar de que está fazendo o seu melhor para cuidar de seu corpo inteiro.
3
Seja prático . Se você não consegue se lembrar de coisas , então anotá-las. Manter listas de tarefas importantes para ser concluído. Post-it preso ao seu computador ou geladeira são uma ótima maneira de lembrar de coisas importantes. O amigo da minha mãe sugeriu que minha mãe criar uma lista de pratos e talheres e postá-lo dentro de seu gabinete para ajudá-la a lembrar-se de onde ela itens escondidos .
4
Se acalme . Tropeçando sobre suas palavras , ou esquecendo completamente como pedir as coisas mais simples , pode ser frustrante. Se você não pode vir até com o nome para a TV , microondas, ou liquidificador, em seguida, explicar o que faz. Seja paciente consigo mesmo .
5
Evite tomar decisões rápidas. Tomada de decisões em tempo real poderia ter sido normal antes de quimioterapia , mas as coisas são muito diferentes após a quimioterapia. Você está processando informações de forma mais lenta de modo a tentar evitar situações onde você deve tomar decisões rápidas . Se não for possível , explicar para a família , colegas e amigos sobre os seus efeitos colaterais de perda de memória e pedir ajuda.
6
se organizar. Isso realmente ajudou a minha mãe. Ela estava muito fraca depois de sua quimioterapia , mas precisava de trabalho ocupado durante a sua recuperação. Ela organizou a sua cozinha, áreas de armazenamento , mesa de escritório e arquivos . Tudo tem um lugar previsível e isso ajuda -la quando ela se esquece de onde as coisas são colocadas .
7
Mantenha um calendário escrito publicado na geladeira para que você possa facilmente manter o controle de eventos importantes. É muito mais fácil do que tentar descobrir como funciona o seu programa de calendário do computador ou descobrir o seu Palm Pilot .
8
Registe-se para um grupo de apoio sobrevivente de câncer . Muitas pessoas ficam apoio durante o tratamento , mas nunca buscar apoio para os efeitos colaterais em curso após a quimioterapia seja concluída. Ouvindo histórias semelhantes e apenas ter alguém commiserate é bálsamo para a sua alma. Seu oncologista pode recomendar grupos de apoio para os sobreviventes.

Fonte: http://www.365saude.com.br/pt-cancer/pt-chemotherapy/1009027912.html

quarta-feira, 1 de junho de 2016

SOFRER POR ANTECIPAÇÃO

É muito comum enfrentarmos sofrimentos psiquícos por situações que ainda não aconteceram.
No universo dos pacientes de câncer isso é muito comum. A cada vez que sentimos uma pontada, um cansaço, uma tontura, começamos a imaginar doenças graves, tumores, recidivas e na maioria das vezes não há nada; quando muito um efeito colateral de uma medicação.
Mas, o nosso pensamento tem força e, à medida que imaginamos que há algo grave acontecendo em nosso organismo, a nossa mente envia falsos sinais que muitas vezes nos apavoram
Assim amigas, amigos, não precisamos nos desesperar diante de uma pontada, uma tontura, uma fraqueza. Calma! vamos respirar fundo, lentamente e confiar em Deus!
Não há nada que seja impossível para o nosso Criador e, se assim, cremos, vamos olhar pra frente, sonhar e sorrir imaginando dias extraordinários para nós!

Sueli Dias

terça-feira, 31 de maio de 2016

DIA MUNDIAL SEM TABACO - Estudo inédito aponta que 18,5% dos adolescentes experimentam cigarro

São 18,5% os adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos que já experimentaram cigarro, constatou o Erica - Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, pesquisa inédita realizada pelo Ministério da Saúde e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com 33 instituições de ensino superior. A proporção revela que cerca de 1,8 milhão de adolescentes nesta faixa etária já usaram, pelo menos uma vez, o produto derivado do tabaco. Apesar do número ainda alto, o dado pode indicar uma tendência de queda na experimentação de cigarro entre os adolescentes do país. Estudos anteriores, como a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), de 2009, haviam detectado que 24% dos adolescentes de 13 a 15 anos nas capitais brasileiras tinham tido ao menos um contato com o cigarro.
“A redução no número de fumantes é um avanço nas políticas realizadas pelo Ministério da Saúde e pelo Inca. O dado do Erica destaca a importância de se cortar o mal pela raiz, já que quanto menos jovens estiverem fazendo uso do cigarro, menos adultos fumantes teremos no futuro e consequentemente menos doenças e mortes ocasionadas pelo tabagismo”, assinalou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.
O Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica) ouviu 74.589 adolescentes de 1.251 escolas públicas e privadas em 124 municípios com mais de 100 mil habitantes, incluindo todas as capitais. É o primeiro levantamento feito com coleta de dados de jovens entre 12 e 17 anos para fornecer estimativas nacionais sobre a prevalência de fatores de riscos cardiovasculares, tais como hipertensão arterial, dislipidemia e de síndrome metabólica. O estudo traz recortes por sexo e idade, saúde mental e comportamentos geralmente iniciados nessa fase da vida - como tabagismo, consumo de álcool e vida sexual.
Entre as capitais, Campo Grande (26,8%), Porto Alegre (26,5%), Florianópolis (25,1%) e Curitiba (23,4%) apresentaram maior prevalência de adolescentes que afirmaram ao menos uma experiência com cigarro. Já em Natal (14,8%), Teresina (14,6%), Salvador (12,5%) e Aracaju (12,2%) estão as menores proporções. O estudo mostrou também que, independente do sexo, as prevalências foram maiores em adolescentes que não moravam com os dois pais e que referiram ter tido contato com fumante em casa ou fora. Outra constatação do estudo foi o de que as jovens do sexo feminino estudantes de escolas públicas (5,7%) fumam mais do que as de escolas privadas (3,7%).
O levantamento também avaliou o número de adolescentes que experimentaram o cigarro por região. Destaca-se o Sul do país, que registrou o maior índice percentual, 23,3%; o Nordeste apresentou a menor proporção, 15,2%. A pesquisa foi feita por meio de um questionário dividido em 11 blocos, além de exames coletados pelos pesquisadores. Todos os adolescentes receberam os resultados de suas avaliações e, quando detectado algum problema de saúde, o adolescente foi alertado e orientado a procurar um serviço de saúde.
FUMO ENTRE ADULTOS – Entre os adultos, os resultados do mais recente levantamento do Ministério da Saúde, o Vigitel 2015, são otimistas. Segundo os dados da pesquisa, houve redução de 33,8% no número de fumantes adultos nos últimos dez anos: 10,4% da população das capitais brasileiras ainda mantêm o hábito de fumar. Em 2006, esse percentual era de 15,7% para o conjunto das capitais. Os homens continuam sendo os que mais fazem uso do tabaco (12,8%), ao passo que as mulheres fumantes são 8,3% dentro do total da população feminina das capitais. Há 10 anos, esse número era de 20,3% entre os homens e 12,8% nas mulheres.
“A redução na prevalência de fumantes nas últimas décadas tornou nosso país um caso mundial de sucesso no controle do tabagismo”, salienta o ministro Ricardo Barros.
Apesar disso, de acordo com o Ministério da Saúde, as doenças geradas pelo tabagismo ainda acarretam em aproximadamente 200 mil mortes por ano no Brasil. No mundo, informa o Instituto Nacional de Câncer - Inca, são seis milhões de óbitos anuais. O tabaco é um fator importante no desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. Ainda de acordo com a entidade, os custos para o sistema de saúde são de R$ 23 bilhões ao ano.
FREQUÊNCIA DE FUMANTES - Ainda segundo o Vigitel 2015, a frequência de fumantes no país é menor antes dos 25 anos de idade ou após os 65 anos. Os maiores contingentes de fumantes adultos foram encontrados entre os homens de Porto Alegre (16,7%), São Paulo (15,6%) e Cuiabá (14,9%), e entre mulheres em Porto Alegre (13,4%), São Paulo (12,2%) e no Rio de Janeiro (10,8%). Na contramão dessas capitais, os homens de Salvador (5,6%), São Luís (8,5%) e Goiânia (8,7%) e as mulheres de São Luís (1,5%), Belém (3,2%) e Aracaju (3,6%) foram os que registraram a menor frequência de adultos fumantes.
AÇÕES FREIAM CONSUMO - A redução no consumo do tabaco no Brasil é resultado de uma série de ações desenvolvidas pelo Governo Federal para combater o seu uso. A política de preços mínimos é um exemplo, pois está diretamente ligada à redução do consumo do cigarro em todas as faixas etárias. Considerando que a experimentação de cigarro entre os jovens é alta e que cerca de 80% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 18 anos, o preço é um inibidor.
Outra ação importante foi a legislação antifumo que proibiu o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos e outros produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, em locais de uso coletivo, públicos ou privados - mesmo que o ambiente esteja só parcialmente fechado por uma parede, divisória, teto ou até toldo. Os narguilés também foram incluídos na proibição.
O Ministério da Saúde também ampliou ações de prevenção com atenção especial aos grupos mais vulneráveis (jovens, mulheres, população de menor renda e escolaridade, indígenas, quilombolas), assim como contribuiu para o fortalecimento da implementação da política de preços e de aumento de impostos dos produtos derivados do tabaco e álcool. Houve também o fortalecimento, no Programa Saúde na Escola (PSE), das ações educativas voltadas à prevenção e à redução do uso de álcool e do tabaco.
TRATAMENTO – Com o intuito de reduzir o número de pessoas com câncer, entre outras doenças crônicas não transmissíveis, o Ministério da Saúde vem investindo fortemente no controle do tabagismo, tendo atualizado em 2013 as diretrizes de cuidado à pessoa tabagista e ampliado o acesso ao tratamento. Além disso, foram criados Centros de Referência em Abordagem e Tratamento dos Fumantes nas unidades de saúde de maior densidade tecnológica e nos hospitais capacitados segundo o modelo do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT).
São ofertados gratuitamente medicamentos como adesivos, pastilhas, gomas de mascar (terapia de reposição de nicotina) e bupropiona. O Ministério da Saúde destinou R$ 42,9 milhões para compra dos produtos em 2015. Foram distribuídos 7,9 milhões de adesivos de nicotina 7mg, 8,9 milhões de adesivos de nicotina 14mg, 11,04 milhões de adesivos de nicotina 21mg, 1,6 milhão de gomas de nicotina 2mg e 33,05 milhões de unidades de cloridrato bupropiona 150mg.
A priorização do atendimento de quem deseja parar de fumar nas Unidades Básicas de Saúde pode ser mensurada pela Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE. A PNS revela que em 2013, 73,1% das pessoas que tentaram parar de fumar conseguiram tratamento, um aumento importante em relação a 2008, que era de 58,8%.
RECONHECIMENTO - Em 2015, o trabalho do Brasil no controle do tabagismo foi reconhecido internacionalmente pela Bloomberg Philanthropies, que auferiu ao país o Prêmio Bloomberg para o Controle Global do Tabaco. A cerimônia de entrega ocorreu durante a 16ª Conferência Mundial Sobre Tabaco ou Saúde em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
EMBALAGENS PADRONIZADAS – Neste ano, as embalagens padronizadas de tabaco são o tema da campanha do Dia Mundial sem Tabaco, coordenada no Brasil pelo INCA. A ação foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de destacar o papel da embalagem padronizada como parte de uma abordagem abrangente e multissetorial para o controle do tabaco.
A OMS recomenda o cumprimento do que está estabelecido no Artigo 11 da Convenção-Quadro da OMS para Controle do Tabaco, tratado internacional de saúde do qual o Brasil é signatário, ratificado em 2005 pelo Congresso Nacional. Medidas indicadas no documento e já adotadas no país têm contribuído para uma significativa redução do tabagismo e das doenças relacionadas.
De acordo com o Artigo 11 da Convenção, deve-se suprimir o apelo visual que atrai a população jovem para o consumo – já que as embalagens de tabaco são, atualmente, o principal instrumento de publicidade da indústria, com investimentos crescentes no aprimoramento visual, formato, colocação estratégica nos pontos de venda, dentre outras estratégias. Lançadas em edições limitadas, com brindes, em diferentes formatos, as embalagens de produtos de tabaco estão cada vez mais sedutoras, com forte apelo ao público jovem.
Por Victor Maciel, da Agência Saúde
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31 DE MAIO - DIA MUNDIAL DE COMBATE AO TABAGISMO

A maior mentira de um fumante é achar que nada vai acontecer com ele", diz médico 

No Dia Mundial de Combate ao Tabagismo, OMS lembra os perigos causados pelo ato de fumar 

A cada ano, a OMS (Organização Mundial de Saúde), desde 1987, ressalta a importância de um fumante largar o cigarro e assim evitar males à sua saúde. Também a cada ano um grande número de fumantes promete que vai parar de fumar e deixa a promessa de lado nos primeiros dias após o Dia Mundial de Combate ao Tabagismo, lembrado em 31 de maio. A promessa se esvai junto com a fumaça e se perde em um misto de prazer e culpa. Segundo o cardiologista Marcel Coloma, isso ocorre porque o desejo de parar de fumar é como a imagem da fumaça: da boca para fora.
— O passo mais difícil para o fumante parar de fumar é ele realmente querer parar de fumar. Sempre sugeri que o desejo tem de partir dele. Muitas vezes as pessoas vêm com tratamento trazido pelo marido, pelo filho, pela esposa e aí não dá certo, porque a pessoa, no fundo, não quer, já que terá de se esforçar muito no tratamento.
Claro que há casos em que, apesar de o desejo existir, acaba não prevalecendo. É o momento em que a ansiedade e o estresse são mais fortes. Coloma, responsável pelo grupo de tratamento de tabagismo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, diz que, em geral, o uso do cigarro está relacionado à fuga dos problemas e do estresse do dia-a-dia. Para ele é até melhor esperar um pouco antes de iniciar o tratamento se o fumante estiver passando por momentos extremos de ansiedade.
— O fumante tem mais dificuldade de parar de fumar quando está mais estressado, mais ansioso. Nem recomendamos que ele pare no momento em que a situação dele está muito difícil, é preferível melhorar um pouco o lado psicológico dele para depois tentar parar de fumar.
Para Coloma, a segunda etapa, também determinante, vem após o fumante chegar à conclusão de que realmente quer deixar o cigarro. É quando ele precisa se conscientizar de que não pode resolver o problema sozinho. Nos casos em que há tratamento, o médico conta que cerca de 40% dos fumantes obtêm êxito durante pelo menos um ano. Mas, conforme ele diz, o número tende a ser ainda maior se o desejo for real, já que as estatísticas em geral não costumam levar em conta esse fator.
— O segundo passo é procurar ajuda. Hoje em dia existem centros especializados, médicos, psicólogos e muitos remédios que ajudam a pessoa a parar de fumar. Há toda uma abordagem psicológica que precisa ser feita no tratamento, junto com a medicação, para facilitar. A mudança de hábito é outra coisa que as pessoas muitas vezem não querem fazer, isso dificulta muito o sucesso em parar de fumar.
Doenças relacionadas
A OMS considera o tabagismo a principal causa de morte evitável no mundo. O tabaco mata cerca de 6 milhões de pessoas por ano, sendo que mais de 600 mil são fumantes passivos, aqueles que convivem com fumantes. Esse número pode subir para 8 milhões de mortes por ano, até 2030, caso não haja maior conscientização.
Mais de 50 doenças estão relacionadas ao tabagismo, entre elas os cânceres de pulmão, boca, esôfago, laringe, faringe e doenças coronarianas. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, no Brasil ocorrem 200 mil mortes por ano, 23 por hora, por causas relacionadas ao tabagismo. Coloma diz que, devido à propagandas anti-tabaco e ao aumento do preço do cigarro, entre outros, o número de fumantes no País diminuiu quase 20% desde os anos 80. Hoje, 25 milhões de brasileiros adultos são fumantes (cerca de 10% da população). Mas ainda há muito a ser feito.
A começar por combater a principal "mentira" criada, involuntariamente, por muitos fumantes, segundo Coloma. Essas falsas convicções, de acordo com o cardiologista, impedem os usuários de largar o cigarro. Em vez de beneficiá-los na contenção da ansiedade, os está prejudicando. E transformando o ato de mentir para si mesmo em mais um vício.
— A maior mentira de um fumante é achar que não vai acontecer nada com ele, que os males só acontecem com os outros. Eu juntaria ainda outra mentira, que é daquele que diz que vai parar quando quiser. Na verdade não é bem assim, ele é um dependente, acha que para quando quer mas não para.
Fonte: http://noticias.r7.com/saude/a-maior-mentira-de-um-fumante-e-achar-que-nada-vai-acontecer-com-ele-diz-medico-31052016