sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

CÂNCER DE PÊNIS

 

Campanha alerta sobre importância da prevenção do câncer de pênis

Doença provocou mais de 4 mil mortes em uma década no Brasil


A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) lança quinta-feira (1º) a Campanha de Prevenção e de Combate ao Câncer de Pênis, com o objetivo de conscientizar os brasileiros sobre a importância da prevenção. Segundo o Ministério da Saúde, no período de 2012 a novembro de  2022, foram registrados no país 21,766 mil casos de câncer de pênis. Houve 6,456 mil amputações do órgão genital masculino de 2013 a 2023, com média anual em torno de 600 amputações. De 2011 a 2021, a doença provocou mais de 4 mil mortes no Brasil.

A campanha, que está na quarta edição, marca a passagem do Dia Mundial de Combate ao Câncer, no domingo (4)

De acordo com o presidente da SBU, Luiz Otávio Torres, os dados mostram que mais da metade dos homens diagnosticados já estavam em fase avançada do câncer. Em entrevista à Agência Brasil, Torres disse que este é o único tipo de câncer que pode ser evitado com água e sabão. O médico enfatizou que o câncer de pênis, na maioria dos casos, pode ser evitado com higienização correta do pênis.

A maior incidência da doença é observada nas regiões Norte e Nordeste e está muito relacionada ao nível socioeconômico. “Sócio, porque a pessoa não tem o hábito de se higienizar. Isso está relacionado à parte social. Na parte econômica, também. Quem tem uma condição melhor, tem acesso a uma série de informações”, afirmou Torres.

Hospitais públicos

A SBU está buscando adesão de hospitais públicos à campanha em todo o país, para que ofereçam condições para realização de cirurgias gratuitas. Mutirões de urologistas das 24 seccionais da SBU farão a postectomia (retirada do prepúcio) nos casos em que este não expõe totalmente a glande, ou cabeça do pênis e, por extensão, não permite a higienização correta do pênis. É preciso conseguir local e material para fazer as cirurgias. "Estamos tentando fazer a campanha no maior número possível de seccionais da SBU. Temos 29 dias de fevereiro para tentar”, disse Torres.

Durante todo o mês de fevereiro, médicos da SBU esclarecerão dúvidas sobre a doença nas redes sociais da entidade no Instagram, Facebook e Tik Tok.

“Não se trata de sair fazendo postectomia em todo mundo", ressaltou o médico. Ele explicou que o procedimento é indicado quando o homem tem fimose verdadeira, isto é, quando puxa o prepúcio, a pele, e não expõe a glande. "Ele não consegue lavar. Quando ele tem o prepúcio, puxa e expõe a glande, não precisa tirar o prepúcio. É só lavar o pênis.”

Torres lembrou que, muitas vezes, a pessoa tem condição socioeconômica ruim e não lava o pênis. “Então, é melhor tirar o prepúcio porque a glande fica exposta. Mesmo que não lave, ele não está com o prepúcio segurando a sujeira lá dentro”. Em edições anteriores da campanha, médicos filiados à SBU chegaram a realizar mais de 200 postectomias por ano.

Sinais

Os sinais mais comuns do câncer de pênis são feridas que não cicatrizam; secreção com forte odor; espessamento ou mudança de cor na pele da glande. “Isso pode acabar evoluindo para um câncer. São lesões externas em que a coceira não passa”, disse o presidente da SBU. Quando já está em fase avançada, podem aparecer nódulos na virilha.

O tabagismo é um dos fatores de risco. “O que se sabe é que, na população tabagista, a incidência é maior do que entre os não fumantes”, explicou Torres. A maioria dos cânceres de pênis ocorre a partir dos 50 anos de idade. De acordo com o médico, isso não exclui casos mais raros, em homens de menos idade. A infecção pelo HPV (papilomavírus humano) é outra causa.

O presidente da SBU informou que a vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser tomada por meninas e meninos de 9 a 14 anos. “Além de água e sabão, a única coisa que pode prevenir [o câncer de pênis] é não fumar e, também, a vacina contra o HPV, que todos devem tomar na adolescência”. É recomendado também o uso de preservativo, para evitar contaminação por infecções sexualmente transmissíveis, como o HPV.

O Brasil é um dos três países com maior incidência e mortalidade por esse tipo de câncer Fica atrás apenas dos países da África Subsaariana. “Está relacionado ao hábito e à informação”, reforçou Torres.

Cura

Quando descoberta no início, a doença tem alta chance de cura. “Quando o diagnóstico é feito em fases iniciais, conseguimos tratar com a remoção somente da pele, evitando a retirada do pênis”, afirmou o médico Roni de Carvalho Fernandes, diretor da Escola Superior de Urologia.

De acordo com o Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer, elaborado com apoio da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde, o câncer de pênis tem as maiores incidências do mundo em países da América Latina e Caribe.

Edição: Nádia Franco

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2024-01/campanha-alerta-sobre-importancia-da-prevencao-do-cancer-de-penis - acesso em 02.02.24 às 21:04

DIA MUNDIAL DO CÂNCER

 

Políticas de prevenção e acompanhamento de paciente reforçam o controle da doença

4 de fevereiro é o Dia Mundial do Câncer, doença que mata todos os anos 7,6 milhões de pessoas no mundo. O Congresso aprovou, em 2023, o projeto que deu origem à lei que criou a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no âmbito do SUS e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer (Lei 14.758/2023). As novidades na legislação são resultado do trabalho de uma Comissão Especial criada em 2021 pela Câmara para acompanhar as ações de combate ao câncer.

02/02/2024, 18h17 - ATUALIZADO EM 02/02/2024, 18h18
Duração de áudio: 02:53
Fonte: https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2024/02/02/politicas-de-prevencao-e-acompanhamento-de-paciente-reforcam-o-controle-da-doenca acesso em 02.02.24 às 21;00h

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Crie um futuro sem câncer. A hora de agir é agora.

 slogan da Campanha Dia Mundial do Câncer, criada pela UICC (União Internacional para Controle do CÂncer) 


campanha “Por cuidados mais justos” (2022-2024) e o slogan escolhido  “Criar um futuro sem câncer – A hora de agir é agora” consiste em unir vozes e entrar em ação. Celebram-se avanços reais em diferentes esferas e é preciso aproveitar esse momento favorável para fortalecer a luta por justiça.

As ações podem assumir diferentes formas: incentivar a vizinhança a oferecer transporte para moradores em tratamento de câncer ou garantir que as escolas do bairro ofereçam refeições saudáveis e de custo acessível, mobilizando amigos, familiares, colegas e vizinhos, pois juntos a luta se torna mais forte.

Na saúde, a inequidade se refere à distribuição desigual de recursos. Em contraste, injustiça significa diferenças injustas e evitáveis nos cuidados ou nos desfechos. A diferença pode parecer sutil, mas fechar a lacuna dos cuidados do câncer não significa simplesmente fornecer a todos recursos iguais. Uma medida não serve para todos e cada desafio exige uma solução diferente. Equidade é dar a todos o que precisam, para colocá-los no mesmo nível.

Ao mesmo tempo em que se vive em uma época de avanços inspiradores na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, muitos que buscam cuidados para o câncer encontram barreiras de todos os tipos. Renda, educação, localização geográfica e discriminação com base na etnia, gênero, orientação sexual, idade, incapacidade e estilo de vida são apenas alguns dos fatores que podem afetar negativamente os cuidados.

Barreiras que impedem os cuidados do câncer:

– Normas de gênero e discriminação;
– Barreiras para populações minoritárias;
– Situação socioeconômica;
– Divisão rural-urbano;
– Discriminação por idade;
– Situação de refugiado e deslocamento forçado;
– Obstáculos para tratamentos de pessoas com necessidades especiais.

 

O Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa global da União Internacional para Controle do Câncer (UICC), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Tem como objetivo aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença, além de influenciar governos e indivíduos para que se mobilizem pelo controle do câncer.

Para os organizadores das comemorações, uma campanha de 3 anos provoca maior impacto, mais exposição e envolvimento, mais oportunidades para conscientizar globalmente! Mais do que um dia no calendário, a celebração foi criada para inspirar mudanças e mobilizar ações muito além da própria data.

 

Câncer é um termo que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células que podem invadir tecidos adjacentes ou órgãos a distância.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas.

Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase.

O câncer surge a partir de uma mutação genética, ou seja, de uma alteração no DNA da célula, que passa a receber instruções erradas para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados proto-oncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes tornam-se oncogenes, responsáveis por transformar as células normais em células cancerosas.

A multiplicação descontrolada de células alteradas provoca acúmulo de células cancerosas que dão origem ao tumor.

O processo de formação do câncer é chamado de carcinogênese ou oncogênese e, em geral, acontece lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa se prolifere e dê origem a um tumor visível. Os efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos ou carcinógenos são os responsáveis pelo início, promoção, progressão e inibição do tumor.

Prevenção:

Mais da metade de todos os cânceres são evitáveis com a adoção de um estilo de vida saudável e submetendo-se a exames de rotina. Câncer de mama, de colo do útero e colo retal, podem ser tratados com sucesso quando detectados precocemente.

12 dicas para prevenir o câncer:

– não fumar;
– adotar uma alimentação saudável;
– manter o peso corporal adequado;
– praticar atividades físicas;
– amamentar;
– realizar exame preventivo de câncer do colo do útero a cada três anos, para mulheres com idade entre 25 e 64 anos;
– vacinar as meninas de 9 a 14 anos e os meninos de 11 a 14 anos contra o HPV;
– vacinar-se contra a hepatite B;
– evitar bebidas alcoólicas;
– evitar carnes processadas;
– evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h;
– evitar a exposição a agentes cancerígenos no ambiente de trabalho.

 

Fontes:

Instituto Nacional de Câncer (INCA)
União Internacional para Controle do Câncer (UICC)

Fonte: https://bvsms.saude.gov.br/criar-um-futuro-sem-cancer-a-hora-de-agir-e-agora-04-02-dia-mundial-do-cancer/ acesso em 02.02.24 às 21:11h

MOMENTO DE REFLEXAO PODE SER A PONTE PARA UM NOVO CAMINHO

 A partir da tomada de consciência da forma como estou vivendo posso decidir por trilhar novos caminhos.

Sueli

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

04 DE FEVEREIRO - DIA MUNDIAL DO CÂNCER

 

Dia Mundial do Câncer

O Dia Mundial do Câncer, 4 de fevereiro, é uma iniciativa global organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Tem como objetivo aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença, além de influenciar governos e indivíduos para que se mobilizem pelo controle do câncer.


site do inca https://www.inca.gov.br/campanhas/dia-mundial-do-cancer acesso em 03.02.23 às 10:25h



A organização internacional World Cancer Day que criou a campanha ” Por Cuidados Mais Justos.” A campanha visa alertar que ao mesmo tempo em que vivemos em uma época de avanços inspiradores na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer encontramos barreiras de todos o tipos.

Questões como renda, educação, localização geográfica e discriminação com base na etnia, gênero, orientação sexual, idade, incapacidade e estilo de vida são apenas alguns dos fatores que podem afetar negativamente nestes cuidados com o câncer.

Por isso, o tema do Dia Mundial do Câncer deste ano definido pelo a World Cancer Day, pede a união de múltiplas vozes representativas da nossa sociedade.

A proposta é fortalecimento, buscando colaborações de todos os grupos sociais para juntos celebrar mais avanços e mudanças pelos cuidados mais justos aos diferentes tipos de pacientes oncológicos.

site do imama https://imama.org.br/dia-mundial-de-combate-ao-cancer/ acesso em03.02.23 às 10:25h

Dia Mundial do Câncer 2023

O Dia Mundial do Câncer de 2023 marca o segundo ano da campanha de três anos ‘Fechar a lacuna de cuidados’, que é centrada na questão da equidade e liderada pela Union for International Cancer Control.

O primeiro ano (2022) da campanha “Por cuidados mais justos” foi sobre entender e reconhecer as ‘inequidades’ no tratamento do câncer em todo o mundo e seu impacto na saúde pública. Agora em 2023, é sobre unir indivíduos e organizações, defensores e formuladores de políticas para pedir mudanças e agir.

Trata-se também de celebrar o progresso do mundo real, não apenas em inovação e avanços médicos, mas até mesmo nas ações mais humildes que podem ter um impacto significativo: motivar os vizinhos a fornecer transporte para tratamento de câncer para um colega residente ou garantir que opções de alimentação saudáveis e acessíveis sejam oferecidas na escola local.

É hora de lutarmos #PorCuidadosMaisJustos e o TJCC está junto desta iniciativa! Saiba como você também pode mostrar seu apoio no 4 de fevereiro em worldcancerday.org


site TJCC   https://tjcc.com.br/acontece-tjcc/campanha/tjcc-apoia-o-dia-mundial-do-cancer-2023/ acesso em 03.02.2023 às 10:44h


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

20 DE JANEIRO - DIA NACIONAL DO FARMACÊUTICO

 No dia 20 de janeiro é comemorado o Dia do Farmacêutico. A data foi escolhida em função da fundação da Associação Brasileira de Farmacêuticos (ABF), em 20 de janeiro de 1916. Na época, era a maior instituição representativa da categoria, no País.


Considerando a necessidade de unificar a comemoração do Dia do Farmacêutico e por ensejar maior visibilidade e reconhecimento, o Conselho Federal de Farmácia, por meio da Resolução nº 460, de 23 de março de 2007, reconheceu o dia 20 de Janeiro como o Dia do Farmacêutico.

Na busca pela valorização e estímulo do profissional farmacêutico, a para que o dia 20 de janeiro seja marcado pelo reconhecimento daqueles que lutam em prol a farmácia, foi criada pelo Conselho Federal de Farmácia, por meio da Resolução nº 323, de 16 de janeiro de 1998, a Comenda do Mérito Farmacêutico que visa distinguir farmacêuticos e autoridades pelos relevantes serviços prestados à profissão. A entrega da Comenda do Mérito Farmacêutico é realizada durante as comemorações do Dia do Farmacêutico.

Fonte: https://www.cff.org.br/pagina.php?id=177 acesso em 19.01.23 às 22:14h

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

JANEIRO ROXO - Campanha Janeiro Roxo luta contra preconceito referente à hanseníase

 A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) está promovendo neste mês a campanha Janeiro Roxo, que visa conscientizar a população contra o estigma e o preconceito vinculados à hanseníase. Segundo o presidente da SBD, Heitor Gonçalves, a iniciativa destina-se ainda às autoridades públicas, no sentido de chamar a atenção para a necessidade de mais investimentos para o controle da hanseníase, aos profissionais de saúde, para reacender a discussão técnica e política sobre a problemática da hanseníase e à imprensa, para que tome conhecimento e seja aliada da campanha.

Gonçalves disse que o nome da campanha decorre do fato de a cor roxa sinalizar a criatividade e o aprofundamento sobre o estudo das questões “e, principalmente, a luta contra uma causa sem amarras e sem preconceitos. Daí o lema Janeiro Roxo, um mês de combate ao preconceito contra a hanseníase”.

Informações sobre a campanha podem ser obtidas no site da campanha. O Dia Mundial de Combate e Prevenção da Hanseníase é comemorado no último domingo de janeiro.

Bacilo

O bacilo causador da hanseníase foi identificado no século 19, pelo médico norueguês e pesquisador de saúde pública Gerhard Armauer Hansen. Naquela época, a doença já carregava preconceito, segregação e era chamada de lepra, em tom pejorativo. Por conta do sobrenome do pesquisador, a doença passou a ser chamada hanseníase. Passados quase 150 anos, profissionais da saúde ainda promovem campanhas de esclarecimento e ações na mídia para desmitificar a hanseníase.

O chefe do Departamento de Hanseníase da SBD, Egon Daxbacher, disse à Agência Brasil que a doença, se tratada, não é transmitida. No passado, os pacientes eram isolados e segregados.

Ao perceber sintomas como manchas mais claras que a pele, ou avermelhadas, que têm alteração de sensibilidade quando testadas, além de sensação de choque, dormência ou fisgada nos pés e mãos, a pessoa deve procurar uma unidade básica de saúde ou um dermatologista. Isso deve ser feito também por pessoas da família que moram com o paciente ou que tiveram contato prolongado e próximo com ele, porque têm mais risco de adoecimento.

O dermatologista advertiu que esses sintomas podem evoluir para deformidades, caroços, quando a doença adquire uma forma mais avançada. A procura por tratamento se explica, do mesmo modo, porque, se não for hanseníase, pode ser outra doença de pele que necessita de diagnóstico.

A identificação precoce evita danos aos nervos e movimentos, afirmou Daxbacher. Diferentemente do que se imagina, a hanseníase não está presente apenas em locais mais carentes e sem saneamento básico, podendo ocorrer em todas as camadas da sociedade. A doença é gerada pela bactéria Mycobacterium leprae e transmitida para outras pessoas caso não haja tratamento. Qualquer indivíduo pode ser acometido.

Quando já instalada no organismo, é percebida alteração ou perda da sensibilidade ao calor e ao frio, dor, fraqueza muscular dos membros e até incapacidade da visão.

Quadro preocupante

A Sociedade Brasileira de Dermatologia considera preocupante o quadro da hanseníase no Brasil. Segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre hanseníase, em 2019, antes da pandemia de covid-19, foram notificados 27.864 novos casos no país, o equivalente a 93% de todos os registros da região das Américas e a 13,7% dos números globais do ano.

Em 2020, foram informados à Organização Mundial da Saúde (OMS) mais 127.396 casos, dos quais 19.195 (15,1%) ocorreram na região das Américas, sendo 17.979 notificados no Brasil, ou seja, 93,6% do número de casos novos das Américas. Brasil, Índia e Indonésia reportaram mais de 10 mil casos novos, correspondendo a 74% das notificações feitas em 2020. Em número de casos de hanseníase, o Brasil é o segundo no mundo, atrás apenas da Índia.

O boletim epidemiológico publicado neste ano sobre a doença, com dados referentes a 2021, informa que o Brasil diagnosticou 15.155 casos novos de hanseníase. Para o médico Egon Daxbacher, esses números mostram queda, que pode chegar a até 50% em algumas regiões, relacionada à pandemia de covid-19. “Isso foi decorrente, realmente, da dificuldade de acesso [ao tratamento], por conta da pandemia”. A pandemia prejudicou a procura de tratamento, disse Daxbacher. A preocupação da SBD é orientar a população, dar acesso ao tratamento, fazer com que as pessoas conheçam os sintomas e se curem, antes de ocorrerem danos maiores, quando a doença alcança os nervos e prejudica os movimentos.

Sequelas

“Como é uma doença que, se diagnosticada tardiamente, pode trazer sequelas, como perda de movimento e deformidades, qualquer um que fale que tem a doença, as outras pessoas já ficam com preconceito”, ressaltou o médico. “Mas sabemos que, se for tratada logo no início, com o aparecimento de uma pequena mancha ou alteração da sensibilidade, a doença tem cura. Às vezes, a pessoa nem tem deformidade, mas já é vista como alguém fadado a ficar assim”, afirmou. “Isso gera preconceito desde os tempos bíblicos”. Daxbacher deixou claro que o isolamento não é necessário, uma vez que, cerca de 15 dias depois de iniciado o tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença.

De acordo com o especialista, há também uma defesa natural nas pessoas contra a doença. “Não é fácil adquirir. Não é uma virose respiratória, como a gripe. Essa bactéria a gente consegue combater internamente, no nosso organismo, na maioria dos casos.” Daxbacher enfatizou que a campanha Janeiro Roxo objetiva manter ativa a lembrança da doença entre os profissionais de saúde, para que estes, ao se deparar com casos e sintomas parecidos, lembrem-se da hanseníase.

A SBD, que se dirige ainda a outros profissionais da área de saúde, principalmente os médicos de família, que ficam mais próximos da saúde pública da comunidade, destacou que seu site traz orientações, esclarece mitos e verdades sobre a hanseníase, além de responder a perguntas e dar mais informações à população.

Edição: Nádia Franco

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-01/campanha-janeiro-roxo-luta-contra-preconceito-referente-hanseniase acesso em 13.01.2023 às20:37h